Várias características definem um colo hostil em aneurisma de aorta abdominal mas uma delas faz toda a diferença

Os pacientes com aneurisma de aorta abdominal (AAA) infrarrenal com um colo ≥ 30 mm têm 3 vezes mais risco de regurgitação tipo 1A e 5 vezes mais risco de ruptura do aneurisma no seguimento após o implante de uma endoprótese (EVAR), assim como uma menor sobrevida. Isso poderia alterar a indicação de reparação endovascular ou ao menos respaldar um seguimento mais próximo com tomografia neste subgrupo de pacientes. Estes achados também poderiam levar a uma evolução da tecnologia das próteses.

El tratamiento endovascular parece superior a la cirugía en aneurismas rotosEste trabalho investigou os resultados da reparação endovascular em pacientes com colo ≥ 30 mm dos pacientes do registro ENGAGE (Endurant Stent Graft Natural Selection Global Postmarket Registry). Os pacientes com colo ≥ 30 mm vs. < 30 mm foram comparados retrospectivamente. O desfecho primário foi a taxa de regurgitação tipo 1A e o secundário incluiu as reintervenções, ruptura do aneurisma e sobrevida.

 

O registro incluiu 1.257 pacientes com seguimento médio de 4 anos, dentre os quais 97 (7,7%) tinham um colo infrarrenal ≥ 30 mm e foram comparados com os restantes 1.160 (92,3%) com um colo < 30 mm. Não houve diferenças entre os grupos no que se refere ao comprimento do colo, angulação, trombo ou calcificação. O diâmetro médio pré-operatório do aneurisma foi de 64,6 ± 11,3 mm naqueles com colo ≥ 30 mm vs. 60 ± 11,6 mm naqueles com colo < 30 mm, resultado este que pode ser considerado significativo (p < 0,01).


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Cinco pacientes do grupo com colo ≥ 30 mm (5,2%) e 30 naqueles com colo < 30 mm (2,6%) desenvolveram regurgitação tipo 1A em 4 anos de seguimento (p = 0,9). No entanto, após ajustar pelo comprimento do colo, pelo diâmetro do aneurisma e por quanto o dispositivo foi superdimensionado, observou-se que o risco de regurgitação tipo 1A é maior naqueles pacientes com colo ≥ 30 mm (HR 3,0; IC 95%, 1,0-9,3; p = 0,05).

 

A ruptura do aneurisma também foi muito mais frequente naqueles pacientes com colo de grande diâmetro (HR 5,1; IC 95%, 1,4-19,2; p = 0,016).

 

A sobrevida após 4 anos foi de 61,6% naqueles com colo ≥ 30 mm e de 75,2% nos pacientes com colo de menor diâmetro (p = 0,009).

 

Conclusão

Neste trabalho aqueles pacientes com aneurisma de aorta abdominal infrarrenal que recebem endoprótese e apresentam um colo do aneurisma ≥ 30 mm têm três vezes mais chances de desenvolver regurgitação tipo 1A, 5 vezes mais chances de ruptura do aneurisma e pior sobrevida. Estes dados devem ser confirmados, mas poderiam alterar a estratégia de tratamento neste subgrupo ou ao menos sugerir um seguimento muito mais intensivo.

 

Título original: Patients with large neck diameter have a higher risk of type IA endoleaks and aneurysm rupture after standard endovascular aneurysm repair.

Referência: Nelson F. G. Oliveira et al. J Vasc Surg 2018, article in press.


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