Qual é o verdadeiro impacto da doença vascular periférica no TAVI?

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

Ainda não está clara qual é a verdadeira incidência da doença vascular periférica (DVP) no TAVI. Diferentes relatórios a situam entre 10%-46%, mas está demonstrado que impacta de forma negativa em sua evolução.

Protrusión de placa en angioplastia carotidea ¿Qué riesgo implica y cómo prevenirlo?

Foram analisados 51.685 pacientes que receberam TAVI. Dentre eles, 12.740 apresentavam DVP (24,6%).

Os pacientes com DVP tenderam a ser mais jovens, em sua maioria homens, com hábitos tabagísticos, hipertensão, antecedentes de doença coronariana e carotídea, DPOC, deterioração da função renal e CRM. Não houve diferenças no que se refere à obesidade e diabetes. Neste grupo, o TAVI foi feito com maior frequência em hospitais universitários.


Lea também: ESC 2019 | Quão benigna é a estenose aórtica moderada?


Durante a internação não houve diferenças em termos de mortalidade, necessidade de marca-passo, infarto agudo do miocárdio (IAM) ou conversão a cirurgia. Entretanto, a presença de DVP se associou a complicações vasculares [8,6 vs. 5,3%, aOR 1,80 (1,50–2,16), p < 0,001], sangramento maior [10,8 vs. 8,8%, aOR 1,20 (1,09–1,34), p < 0,001], deterioração da função renal [18,2 vs. 15,6%, aOR 1,19 (1,05–1,36), p = 0,007], complicações cardíacas [9,4 vs. 8,2%, aOR 1,21 (1,01–1,44), p = 0,03], AVC [3,2 vs. 2,7%, aOR 1,39 (1,10–1,75), p = 0,005] e maior estadia hospitalar [7,23 (0,14) dias vs. 7,11 (0,1) dias, p < 0,001].

Conclusão

A presença de doença vascular periférica no TAVI é de aproximadamente 25%. Esta doença não se associou a uma maior mortalidade hospitalar mas sim a um maior risco de complicações vasculares, sangramento maior, deterioração da função renal, AVC, complicações cardíacas e maior estadia hospitalar.

Gentileza do Dr. Carlos Fava.


Título Original: Association of peripheral artery disease with in-hospital outcomes after endovascular transcatheter aortic valve replacement.

Referência; Divyanshu Mohananey, et, al. Catheter Cardiovasc Interv 2019;94:249-255.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Supera vs. Eluvia em lesões femorpoplíteas calcificadas com calcificação severa

A calcificação seveera continua sendo um dos principais preditores de reestenose e de necessidade de novas revascularizações após o tratamento endovascular da doença femoropoplítea....

O screening do aneurisma de aorta abdominal em mulheres é custo-efetivo?

Apesar de o screening do aneurisma de aorta abdominal (AAA) ser uma estratégia consolidada em homens a partir dos 65 anos, sua utilidade em...

A regressão do saco aneurismático prediz melhores resultados após o EVAR?

A regressão do saco aneurismático após o reparo endovascular de aneurismas de aorta abdominal (EVAR) foi proposta como um marcador de remodelamento favorável e...

Programa SPYRAL: resultados do seguimento de 3 anos de pacientes tratados com denervação renal

A hipertensão arterial constitui o principal fator de risco modificável para a doença cardiovascular e continua representando um importante desafio para a saúde pública...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Técnica UNICORN para prevenir a obstrução coronariana durante o TAVI: resultados iniciais de um estudo multicêntrico

A obstrução coronariana é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente catastrófica, do implante transcateter da valva aórtica (TAVI), especialmente em procedimentos valve-in-valve, TAV-in-TAV ou...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...

Supera vs. Eluvia em lesões femorpoplíteas calcificadas com calcificação severa

A calcificação seveera continua sendo um dos principais preditores de reestenose e de necessidade de novas revascularizações após o tratamento endovascular da doença femoropoplítea....