ACC 2020 Virtual | VOYAGER PAD: a rivaroxabana supera a aspirina no que se refere à prevenção de eventos

Em pacientes com doença vascular periférica que são submetidos a revascularização, a combinação de rivaroxabana (Xarelto) e baixas doses de aspirina são superiores à somente aspirina para prevenir eventos isquêmicos agudos dos membros inferiores, amputações, eventos cardiovasculares e AVC. Os resultados do VOYAGER PAD se somam aos do COMPASS, mostrando que a combinação de terapias pode beneficiar os subgrupos de risco. 

ACC 2020 Virtual | VOYAGER PAD: el rivaroxaban supera a la aspirina en prevenir eventos

Mesmo muito tempo depois de uma intervenção, os pacientes com doença vascular periférica apresentam um risco até quatro vezes maior de isquemia aguda em comparação com aqueles que nunca foram revascularizados. Este maior risco nunca volta ao basal. 

O VOYAGER PAD apresentado de forma virtual no ACC 2020 e simultaneamente publicado no NEJM mostrou que a rivaroxabana duas vezes ao dia somada à aspirina registrou menos eventos de isquemia aguda de membros inferiores em comparação com somente aspirina. Tal diferença já era aparente no terceiro mês após a randomização. 

Para chegar aos resultados antes mencionados, foram randomizados 6564 pacientes com doença vascular periférica sintomática e que tinham sido submetidos a revascularização nos 10 dias prévios à terapia com rivaroxabana 2,5 mg a cada 12 horas mais aspirina 100 mg/dia vs. placebo mais aspirina 100 mg/dia. 


Leia também: ACC 2020 Virtual | Subanálise do COMPASS: a diabetes aumenta o benefício da rivaroxabana mais AAS.


A maior parte dos pacientes foram revascularizados pela dor ao caminhar e somente um quarto da população foi revascularizada por isquemia crítica. Dois terços foram revascularizados de maneira endovascular e um terço por meio de cirurgia aberta. 

O clopidogrel foi utilizado a critério dos operadores na metade da população. 

No seguimento médio de 28 meses a incidência do desfecho primário (isquemia aguda do membro inferior, amputação maior por causa vascular, infarto, AVC isquêmico ou morte cardiovascular) foi de 17,3% no grupo rivaroxabana/aspirina vs. 19,9% no grupo placebo/aspirina (HR 0,85; IC 95% 0,76-0,96). Isso equivale a uma redução absoluta de risco de 1,5% em 6 meses com um número necessário a tratar (NNT) de 65. À medida que o tempo vai passando a redução absoluta vai aumentando e o NNT vai diminuindo. 


Leia também: ACC 2020 | Antídoto para sangramentos com risco de vida sob os novos anticoagulantes.


Todos os componentes do desfecho primário se reduziram com exceção da morte. 

A taxa de sangramento maior no grupo rivaroxabana foi de 5,9% vs. 4,1% do grupo aspirina em 3 anos de seguimento, o que representa um aumento absoluto do risco de 0,6% ao ano. 

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Título original: Rivaroxaban in peripheral artery disease after revascularization.

Referência: Bonaca MP et al. N Engl J Med. 2020; Epub ahead of print y presentado en forma virtual en al ACC 2020.

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