Boa evolução do Valve in Valve a longo prazo

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

Nas últimas décadas tem havido uma utilização significativa das biopróteses em posição aórtica devido aos benefícios que apresentaram em comparação com as válvulas mecânicas. Contudo, no seguimento de longo prazo as biopróteses apresentam degeneração em sua estrutura (SVD). É aí que, pelo risco que implica uma segunda cirurgia em TAVI, a técnica de V-in-V começou a ser utilizada com cada vez maior frequência, mas não sabemos qual é sua evolução a longo prazo.

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Foi feita uma análise do Registro VIVID, que incluiu 1006 pacientes entre 2007 e 2014.

As válvulas percutâneas utilizadas foram: 52% Medtronic (CoreValve/Evolut), 43,2% Edward Sapien (SAPIEN/SAPIEN XT/SAPIEN3) e 4,8% outras válvulas.

A idade média foi de 77 anos, com população constituída de 59% de homens, 27,3% diabéticos, 22,3% com doença vascular periférica, 54,5% com deterioração crônica da função renal. A maioria dos pacientes se encontrava em classe funcional III/IV. O STS foi de 7,3% e a maioria das biopróteses apresentavam stent.

A causa mais frequente da deterioração estrutural foi a estenose acompanhada de regurgitação moderada ou severa, com um gradiente médio de 35,5 ± 17,5 mmHg.

Os pacientes com anel pequeno (< 20 mm) tinham mais idade, mismatch protético severo e mais válvulas cirúrgicas com stent.


Leia também: O Valve in Valve apresenta melhor evolução que a re-SAVR.


A sobrevida estimada em 8 anos foi de 38%, com uma média de 6,2 anos, sendo menor nos que apresentavam anel pequeno (33,2% vs. 40,5%; p = 0,01). Na análise multivariada a presença de anel pequeno, a idade, a baixa fração de ejeção, a deterioração da função renal e o acesso não femoral se associaram à mortalidade.

A liberdade de reintervenção em 8 anos foi de 93,2% e 39 pacientes a requereram. Dentre eles, 16 receberam novo TAVI e 23 foram submetidos a cirurgia. Não houve diferenças em termos de mortalidade em 30 dias. Os preditores de reintervenção foram a idade, a presença de mismatch protético e o mal posicionamento do dispositivo. As válvulas balão-expansíveis requereram mais reintervenção (2% vs. 6%; p = 0,02)

Conclusão

O diâmetro original da bioprótese com falha estrutural talvez influa na mortalidade e no tipo de válvula utilizada. É possível que influa também na necessidade de reintervenção.

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

Título original: Long-term outcomes after transcatheter aortic valve implantation in failed bioprosthetic valves.

Referência: Sabine Bleiziffer, et al. European Heart Journal (2020) doi:10.1093/eurheartj/ehaa544.


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