História natural de lesões severas e assintomáticas da carótida

Tomar a decisão de realizar uma intervenção em uma lesão severa da carótida (70-80%) em um paciente assintomático é todo um desafio. Sabemos que a margem de erro é pequena e um excesso de eventos com a intervenção poderiam inclinar a balança. No entanto, temos pouca informação atualizada sobre a evolução natural destas lesões.

Historia natural de lesiones severas y asintomáticas de la carótida

Esta análise retrospectiva incluiu pacientes assintomáticos com lesões severas da carótida interna diagnosticadas por ultrassom entre 2003 e 2018. Em 5 anos de seguimento observou-se uma baixa taxa de AVC/acidente isquêmico transitório, mas uma alta taxa de progressão das lesões e da mortalidade.

O critério de severidade por Doppler para considerar uma lesão de entre 70 a 80% foi de uma velocidade de pico sistólico > 325 cm/segundo ou uma relação carótida interna/carótida comum > 4 e uma velocidade de fim de diástole < 140 cm/segundo.

Nenhum evento dentro dos 6 meses do Doppler foi considerado como assintomático.


Leia também: SOLACI Peripheral | Discussão de Caso Clínico.


Os desfechos primários foram a progressão da estenose a mais de 80%, evento isquêmico ipsilateral sem documentação de progressão e mortalidade.

182 pacientes cumpriram o critério de inclusão com uma idade média de 71,5 anos.

Observou-se uma taxa de 5,3% de AVC/acidentes isquêmicos transitórios durante os 5 anos de seguimento. Ditos AVC não se associaram a uma progressão das lesões.


Leia também: Como predizer eventos para decidir revascularizar uma carótida sintomática.


Por outro lado, a progressão foi alta com “somente” 60,3% dos pacientes que no final do seguimento se mantiveram com o mesmo grau de estenose. O resto dos pacientes tinha apresentado progressão.

A sobrevida no final do seguimento foi de 83,7%, o que mostra que se trata de uma população de alto risco. Os fatores que se associaram à mortalidade foram a insuficiência renal crônica (HR 9,67, IC 95% 2,05 a 45,6; p = 0,004), a fibrilação atrial (HR 7,55, IC 95% 2,48 a 23; p < 0,001), irradiação prévia do colo (HR 6,37, IC 95% CI 1,39 a 29,31; p = 0,017) e a falta de aspirina no momento do Doppler índice (HR 3,05, IC 95% 1,12 a 8.33; p = 0,030). 

Conclusão

Os pacientes assintomáticos com lesões na carótida interna de 70-80% têm uma baixa taxa de eventos isquêmicos não associados à progressão das placas. No entanto, há uma alta taxa de progressão, motivo pelo qual estes pacientes devem ser monitorados com regularidade.

Título original: Natural History of Non-operative Management in Asymptomatic Patients with 70%-80% Internal Carotid Artery Stenosis by Duplex Criteria.

Referência: Thomas W. Cheng et al. Eur J Vasc Endovasc Surg, article in press. https://doi.org/10.1016/j.ejvs.2020.05.039.


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