DISCO RADIAL: acesso radial convencional ou distal?

O acesso radial convencional (TRA) já está estabelecido como o acesso de escolha para os procedimentos coronarianos percutâneos, independentemente da apresentação clínica.

DISCO RADIAL ¿acceso radial convencional o distal?

Esta escolha está fundamentada em múltiplos trabalhos randomizados e metanálises que evidenciaram redução do sangramento do sítio de punção, redução das complicações vasculares e benefício no que se refere à mortalidade (principalmente em pacientes de alto risco). A praticidade da recuperação permite altas hospitalares mais precoces, com a conseguinte redução nos custos de saúde. 

A oclusão da artéria radial (RAO) é a complicação mais frequente e intervêm nela muitos fatores como desencadeadores. Dita complicação apresenta maior incidência nas primeiras 24 horas e observou-se (em 50% dos pacientes) uma recanalização espontânea nos primeiros 30 dias. 

Nos últimos anos tem se observado um aumento no uso do acesso radial distal (DRA), postulando-se este como uma grande alternativa devido ao menor risco de RAO pela localização da punção em relação à anastomose da mão. 

O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficácia e a segurança do DRA em comparação com a abordagem radial convencional, tendo implementado uma sistemática de prevenção da RAO. 

Leia também: Acesso femoral vs. acesso radial no tratamento percutâneo de CTO.

Este estudo, denominado DISCO RADIAL, foi apresentado simultaneamente no JACC e no EuroPCR 2022. Trata-se de um trabalho randomizado, prospectivo, multicêntrico, aberto e internacional. A randomização foi 1:1 a DRA ou TRA em pacientes aos quais se colocou um introdutor Glidesheath Slender 6F. Foram excluídos pacientes com SCACEST ou em plano de angioplastia CTO. Recomendava-se a administração de verapamil 5 mg e/ou nitroglicerina 100 a 200 mcg, posteriormente heparina 5000 UI e correções para alcançar uma ACT de 250-300 segundos.

O desfecho primário (DP) foi a incidência de RAO na alta hospitalar por meio de medição doppler. Os desfechos secundários (DS) foram a inserção bem-sucedida do introdutor, crossover do sítio de punção, tempo de inserção do introdutor, tempo do procedimento, sangramento do sítio de punção ou complicações do acesso. 

Foram incluídos 1307 pacientes, a média de idade foi de 68 anos, havia 30% de pacientes diabéticos, 33,8% foram submetidos a uma angioplastia prévia por via radial, a principal indicação de intervenção foi uma síndrome coronariana crônica (84,9).

Leia também: EuroPCR 2022 | Devemos revascularizar os pacientes com doença coronariana estável antes do TAVI?

Observou-se uma diminuição não significativa do DP (0,91% vs. 0,31%; p = 0,29), ao analisar a população por protocolo (crossover 7,4% em DRA) prevaleceram os mesmos resultados (0,81% vs. 0,34%; p = 0,45). Ao analisar os DS, o DRA apresentou maior índice de espasmo (2,7% vs. 5,4%; p = 0,015), menor tempo para alcançar hemostasia (180 min vs. 153 min; p = 0,0001), sem mostrar diferenças significativas em termos de sangramento e complicações vasculares. 

Conclusões

Neste trabalho observou-se um índice de RAO muito menor do que o relatado em metanálises prévias (0,81% vs. 7,7%). Isso significa que a aplicação sistemática de medidas para prevenir RAO foi efetiva para ambos os acessos, observando-se uma redução não significativa entre ambos. Este é o trabalho com maior quantidade de pacientes na atualidade, motivo pelo qual a partir destes dados o TRA deve permanecer como o gold standard

Dr. Omar Tupayachi

Dr. Omar Tupayachi.
Miembro del Consejo Editorial de SOLACI.org.

Título Original: Distal Versus Conventional Radial Access for Coronary Angiography and Intervention (DISCO RADIAL).

Fonte: Aminian, Adel et al. “Distal Versus Conventional Radial Access for Coronary Angiography and Intervention (DISCO RADIAL).” JACC. Cardiovascular interventions, S1936-8798(22)00897-4. 10 May. 2022, doi:10.1016/j.jcin.2022.04.032


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