Acesso femoral vs. acesso radial no tratamento percutâneo de CTO

O tratamento percutâneo das oclusões totais crônicas (CTO) foi feito tradicionalmente por via transfemoral (TFA). A utilização do acesso radial (TRA) aumentou nas intervenções coronarianas complexas. Um estudo randomizado avaliou o uso de TRA vs. TFA em angioplastias complexas (58% eram CTO), obtendo resultados favoráveis a favor do acesso radial.

Acceso femoral vs Acceso radial en el tratamiento percutáneo de CTO

O objetivo deste estudo prospectivo, randomizado e de não inferioridade foi comparar o TRA com o TFA no tratamento percutâneo das oclusões crônicas. 

O desfecho primário (DP) foi o sucesso do procedimento definido como a ausência de morte, IAM, revascularização do vaso tratado mediante angioplastia ou cirurgia de ponte coronariana, tamponamento cardíaco e acidente cerebrovascular. 

O desfecho secundário (DS) foi a incidência de complicações maiores no acesso que incluiu sangramento maior, complicações vasculares que requereram intervenção ou hematoma ≥ 10 cm de diâmetro. 

Foram incluídos 610 pacientes, 305 randomizados a TRA e 305 a TFA. A idade média foi de 61 anos. A maioria dos pacientes eram homens. O vaso tratado mais frequentemente foi a artéria coronária direita, seguida da artéria descendente anterior. 

A taxa de crossover foi similar entre os grupos. O escore J-CTO foi de 2,1 (TRA) vs. 2.2 (TFA), o escore PROGRESS CTO foi de 1,3 vs. 1,1 e o escore PRGRESS CTO COMPLICATION foi de 2,4 vs. 2,3. 

Leia também: As oclusões totais deveriam influir na estratégia de revascularização?

A indicação para realizar a intervenção da CTO foi a presença de sintomas em 85%, seguida da presença de isquemia (5%). O duplo acesso foi utilizado no grupo TRA com menos frequência. 

No que se refere aos resultados, o TRA foi não inferior ao acesso femoral no sucesso do procedimento. Por outro lado, o acesso radial apresentou menos taxa de complicações relacionadas com o acesso (2,0% vs. 5,6%; p = 0,019). Finalmente, não houve diferenças na duração do procedimento, no volume de contraste utilizado ou na dose de radiação entre os dois grupos. 

Conclusão

Em comparação com o acesso femoral, o TRA foi não inferior em termos do sucesso do procedimento. Por outro lado, apresentou menos complicações no ponto do acesso. 

Dr. Andrés Rodríguez
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Titulo Original: Femoral or Radial Approach in Treatment of Coronary Chronic Total Occlusion A Randomized Clinical Trial.

Referência: Sevket Gorgulu, MD et al J Am Coll Cardiol Intv 2022;15:823–830.


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