Estudo AQVA: QFR virtual prévio à ATC para planejar angioplastia coronariana vs. angiografia convencional

Vários estudos têm utilizado a avaliação fisiológica após a ATC para melhorar os resultados clínicos. Contudo, os resultados não são conclusivos. As limitações da utilização desses métodos de avaliação fisiológica se relaciona com a necessidade de realizar medições extra, com o consequente incremento do tempo do procedimento, maior uso de radiação, mais contraste, o que implica maiores custos. 

Estudio AQVA: QFR virtual previo a la ATC para planificar angioplastia coronaria vs angiografía convencional

Para equilibrar a balança vários autores têm proposto a utilização da reserva de fluxo quantitativo (QFR) virtual prévia à ATC para planejar uma melhor estratégia, permitindo simular as diferentes estratégias terapêuticas e seus respectivos resultados. 

O objetivo deste estudo multicêntrico e randomizado foi avaliar se a ATC guiada por QFR é superior à ATC guiada por angiografia para obter resultados ótimos de QFR pós-ATC. 

O desfecho primário (DP) foi a proporção de vasos com uma QFR final pós-ATC < 0,90. O desfecho secundário (DS) foi o valor de QFR pós-ATC, a duração do procedimento, o uso de contraste, o número de stents e o comprimento dos mesmos. Outros desfechos secundários foram a morte cardiovascular, a incidência de IAM e a revascularização do vaso tratado guiada pela isquemia. 

Foram incluídos 300 pacientes, dentre os quais 151 foram randomizados a ATC guiada por QFR e 148 a ATC guiada por angiografia. A idade média foi de 70 anos e a maioria dos pacientes eram homens. A apresentação clínica mais frequente foi a angina crônica estável, seguida de IAMSEST. A artéria mais tratada foi a descendente anterior. 

Leia também: Arterialização de veias profundas em isquemia crítica: deveríamos considerar o paciente “não revascularizável” um conceito do passado?

O DP foi significativamente mais frequente no grupo ATC guiada por angiografia em comparação com o grupo ATC guiada por QFR (P = 0,009). A principal causa do resultado subótimo no grupo guiado por angiografia foi a subestimação dos segmentos doentes fora dos stents. Não houve diferenças no DS em relação à duração do procedimento, à quantidade de contraste e à dose de radiação, ao passo que o comprimento e o número de stents foi menor no grupo ATC guiada por QFR (P= 0,06; P = 0,08, respectivamente).

Conclusão

Este estudo demostrou que a ATC guiada por QFR foi superior à ATC guiada por angiografia ao conseguir um ótimo resultado fisiológico pós-ATC, o que foi definido como um QFR pós-ATC ≥ 0,90. A estratégia baseada em QFR mudou o planejamento dos operadores em 25% dos casos e não esteve associada a maior duração do procedimento ou a maior quantidade de contraste ou de radiação. 

Dr. Andrés Rodríguez.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: QFR-Based Virtual PCI or Conventional Angiography to Guide PCI The AQVA Trial.

Referência. Simone Biscaglia, MD et al J Am Coll Cardiol Intv 2023.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...

Heparina pré-hospitalar no SCACEST: uma estratégia segura que proporciona maior reperfusão precoce

A reperfusão precoce continua sendo o principal determinante prognóstico nos pacientes com infarto agudo do miocárdio com elevação do ST (SCACEST). Embora a angioplastia...

Rupturas de placa en artérias não culpadas: seguimento com imagens intravasculares

A ruptura de placa continua sendo um dos mecanismos fisiopatológicos mais importantes nas síndromes coronarianas agudas. No entanto, nem todas as rupturas se manifestam...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Supera vs. Eluvia em lesões femorpoplíteas calcificadas com calcificação severa

A calcificação seveera continua sendo um dos principais preditores de reestenose e de necessidade de novas revascularizações após o tratamento endovascular da doença femoropoplítea....

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...