AHA 2025 | OPTIMA-AF: 1 mês vs. 12 meses de terapia dual (DOAC + P2Y12) após PCI em fibrilação atrial

A coexistência de fibrilação atrial (FA) e doença coronariana é frequente na prática clínica. Os guias atuais recomendam, para ditos casos, 1 mês de terapia tripla (DOAC + DAPT) seguido de 12 meses de terapia dual (DOAC + inibidor P2Y12) depois de uma intervenção coronariana percutânea (PCI). O estudo OPTIMA-AF avaliou se um esquema mais curto – 1 mês de DOAC + P2Y12 seguido de monoterapia com DOAC – poderia manter a eficácia clínica reduzindo o risco de sangramento.  

Tratou-se de um ensaio randomizado, realizado em 75 centros do Japão, que incluiu 1088 pacientes com FA submetidos a PCI. O desfecho primário (DP) foi um composto de morte, infarto agudo do miocárdio (IAM) ou acidente vascular cerebral (AVC) em um ano; e como desfecho de segurança, a incidência de sangramentos ou deterioração da qualidade de vida no mesmo período. 

Todos os procedimentos foram realizados com stents Xience e imagem intracoronariana (IVUS/OCT). Os pacientes receberam AAS – P2Y12 + DOAC durante o período periprocedimento. O design do estudo contemplou análise de não inferioridade e superioridade. A idade média foi de 75 anos, 80% da população era de homens, 94,1% apresentava síndrome coronariana crônica e o clopidogrel foi o antiagregante utilizado em 48,5% dos casos. 

Leia também: AHA 2025 | CLOSURE-AF: oclusão percutânea de apêndice atrial esquerdo (LAAO) vs. tratamento médico em fibrilação atrial com alto risco de AVC e sangramento.

Na análise do DP, observou-se uma diferença absoluta de eventos de 0,9%, alcançando-se o critério de não inferioridade (4,5% [1 mês] vs. 5,4% [12 meses]; HR: 1,20; IC de 95%: 0,70–2,07; p = 0,002). No tocante à segurança, o ramo de 1 mês mostrou uma redução significativa de sangramento clinicamente relevante (4,8% vs. 9,5%; HR: 0,50; IC de 95%: 0,31–0,80; p = 0,004), sendo superior neste aspecto.

Conclusões

Em pacientes com fibrilação atrial submetidos a PCI, um esquema de 1 mês de DOAC + inibidor P2Y12 seguido de monoterapia com DOAC foi não inferior em termos de eventos isquêmicos e reduziu à metade a incidência de sangramento clinicamente relevante. 

Apresentado por Yohei Sotomi durante a sessão Late-Breaking Science do AHA 2025, Nova Orleans, EUA.


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Dr. Omar Tupayachi
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