Valve-in-valve em bioprótesis aórticas pequenas: balão-expansível ou autoexpansível? Resultados de seguimento de 3 anos do estudo LYTEN

A disfunção de biopróteses aórticas cirúrgicas pequenas representa um cenário desafiador para a implante valvar aórtico transcateter (ViV-TAVI) devido à maior incidência de gradientes residuais elevados e mismatch prótese-paciente. A evidência comparativa entre válvulas balão-expansíveis (BEV) e autoexpansíveis (SEV) provinha principalmente de estudos observacionais. O objetivo desta análise do ensaio randomizado LYTEN foi comparar o rendimento hemodinâmico e os resultados clínicos em um seguimento de 3 anos entre ambos os tipos de próteses em pacientes com biopróteses cirúrgicas pequenas em mal funcionamento submetidos a ViV-TAVI.

TAVI Transcateter Valves

O estudo foi um ensaio prospectivo, randomizado e aberto realizado em 11 centros do Canadá, Estados Unidos e Europa. Foram incluídos 102 pacientes, dentre os quais 98 finalmente foram submetidos a TAVI (46 BEV e 52 SEV). A idade média foi de 80 ± 7 anos, estando 47% da população composta por mulheres e sendo o risco cirúrgico médio segundo escore STS de 5,0% (RIC 3,7–7,2). As biopróteses cirúrgicas tinham tamanho ≤ 23 mm e correspondiam a diferentes modelos (até 8 tipos distintos de válvulas, sem predomínio claro). A causa da disfunção foi a estenose em aproximadamente dois terços dos casos e a insuficiência no terço restante. 

Foram implantadas válvulas SAPIEN 3/ULTRA no grupo BEV e válvulas Evolut R/PRO/PRO+ no grupo SEV, com tamanhos entre 20 e 26 mm. A fratura do anel cirúrgico foi realizada com maior frequência no grupo BEV (30% vs. 13%; p = 0,041). O implante foi bem-sucedido em 100% dos casos e não houve mortalidade intra-hospitalar. 

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O desfecho primário foi a taxa de mismatch severo prótese-paciente ou a insuficiência aórtica moderada-severa em 30 dias. Os desfechos secundários incluíram resultados clínicos. 

ViV-TAVI em biopróteses aórticas pequenas: melhor rendimento hemodinâmico em 3 anos com válvulas autoexpansíveis segundo o estudo LYTEN 

Em 3 anos, a performance hemodinâmica foi significativamente melhor com as válvulas autoexpansíveis: os gradientes médios foram menores com SEV (13,12 ± 8,56 mmHg vs. 20,40 ± 9,12 mmHg; p = 0,002), do mesmo modo que os gradientes pico (23,0 ± 16,2 mmHg vs. 35,89 ± 14,13 mmHg; p = 0,001), e a área efetiva indexada foi maior (0,93 ± 0,32 vs. 0,69 ± 0,27 cm²/m²; p = 0,002). Um gradiente médio ≥ 20 mmHg foi observado em 17,6% com SEV vs. 62,1% com BEV (p < 0,001). A insuficiência aórtica moderada foi infrequente e similar entre os grupos (0% vs. 2,9%; p = 0,582) e a deterioração hemodinâmica significativa ocorreu em somente um paciente do grupo SEV (2,9%). 

No tocante aos resultados clínicos, não foram observadas diferenças significativas entre grupos em nenhum dos eventos avaliados: o desfecho composto de morte, AVC ou internação por insuficiência cardíaca ocorreu em 28,7% dos pacientes (32,6% com BEV vs. 25,5% com SEV; p = 0,489). A mortalidade total em 3 anos foi de 19,1% (23,3% vs. 15,7%; p = 0,375), as hospitalizações por insuficiência cardíaca foram de 14,9% (16,3% vs. 13,7%; p = 0,716) e a taxa de acidente vascular cerebral foi de 4,2% (2,3% vs. 5,9%; p = 0,407), sem diferenças estatisticamente significativas. 

Leia também: Avaliação com FFR para a seleção de pacientes hipertensos que se beneficiam do stenting renal.

A necessidade de marca-passo permanente foi baixa e similar entre os grupos (2,3% vs. 3,9%; p = 0,665). O estado funcional e a qualidade de vida melhoraram significativamente em ambos os grupos desde o período precoce e mantiveram-se estáveis até os 3 anos, sem diferenças entre tipos de válvula. 

Conclusão: superioridade hemodinâmica das válvulas autoexpansíveis sem impacto em termos de eventos clínicos maiores a médio prazo

Em pacientes com biopróteses aórticas cirúrgicas pequenas em mal funcionamento tratados com ViV-TAVI, as válvulas autoexpansíveis mostraram um rendimento hemodinâmico superior em um seguimento de 3 anos, com menores gradientes e maior área efetiva, embora sem diferenças em termos de eventos clínicos maiores, estado funcional ou qualidade de vida no seguimento médio. Tais resultados sugerem que a vantagem hemodinâmica das próteses supra-anulares não necessariamente se traduz em benefícios clínicos a médio prazo, embora o seguimento mais prolongado seja necessário para determinar seu impacto definitivo. 

Título Original: Balloon- Versus Self-Expanding Transcatheter Valves for Failed Small Surgical Aortic Bioprostheses: 3-Year Results of the LYTEN Trial.


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