Lesões coronarianas não obstrutivas e disfunção ventricular

Muitos pacientes chegam à sala de cateterismo para uma coronariografia diagnóstica no contexto de um ecocardiograma que mostra severo deterioro da função ventricular, inclusive estando o paciente ainda assintomático. Muitas vezes as coronárias são normais, mas em muitas outras ocasiões nos deparamos com doenças coronarianas que não justificam a severa disfunção ventricular.

É comum que os pacientes com insuficiência cardíaca sejam divididos de acordo com a etiologia em isquêmicos e não isquêmicos, embora esta classificação binária combine pacientes com coronárias normais e pacientes com doença não obstrutiva que poderiam ter um prognóstico distinto.

Este trabalho dividiu pacientes com disfunção ventricular em três grupos: coronárias normais, doença não obstrutiva e com doença coronariana obstrutiva.

O desfecho primário foi uma combinação de morte cardiovascular, infarto não fatal, AVC não fatal e hospitalizações por insuficiência cardíaca.


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Dos 12.814 pacientes incluídos, 2.656 (20,7%) tinham coronárias normais, 2.254 (17,6%) tinham doença não obstrutiva e 7.904 (61,7%) tinham doença coronariana obstrutiva.

O risco do desfecho primário foi significativamente mais alto quando se comparou com o grupo com coronárias normais (HR: 1,17; IC 95% 1,4 a 1,32; p = 0,01).


Leia também: O que os pacientes estão dispostos a saber sobre sua doença?


A doença coronariana não obstrutiva se associou a um incremento da mortalidade cardiovascular (HR: 1,82; IC 95% 1,27 a 2,62; p=0.001) e da mortalidade por qualquer causa (HR: 1,18; IC 95% 1,05 a 1,33; p = 0,005). Ainda assim, não foram encontradas diferenças no que se refere a infarto agudo do miocárdio, AVC ou hospitalizações por insuficiência cardíaca.

Conclusão

Em pacientes com deterioro da função ventricular esquerda a presença de doença coronariana não obstrutiva se associou de maneira independente a um aumento dos eventos combinados e da mortalidade.

Título original: Importance of Nonobstructive Coronary Artery Disease in the Prognosis of Patients With Heart Failure.

Referência: Juarez R. Braga et al. J Am Coll Cardiol HF 2019, article in press.

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