É importante a causa da insuficiência mitral no MitraClip?

A insuficiência mitral (IM) é a valvopatia mais frequente, estando presente em 7,5% (ou talvez ainda mais) dos pacientes de mais de 75 anos. 

Como sabemos, dita doença é classificada como IM primária ou degenerativa (DMR) e IM secundária ou funcional (FMR).

A FMR pode ser ocasionada por dilatação do átrio esquerdo (na maioria das vezes por fibrilação atrial), apresentando-se em 27% dos casos (a-FMR), ou por comprometimento do ventrículo, denominando-se FMR ventricular (v-FMR).

Não ficou determinado se a estratégia com MitraClip é similar nas condições anteriormente descritas.  

Foram analisados 1044 pacientes com IM. Dentre eles, 423 apresentavam DMR e 621 apresentavam FMR. Destes últimos, 505 apresentavam v-FMR e 116 apresentavam a-FMR. 

O desfecho primário (DP) foi definido como mortalidade por qualquer causa e hospitalização por insuficiência cardíaca em dois anos de seguimento. 

A idade média foi de 76,3 anos, 40% da população estava composta por mulheres e o STS score foi de 8,6%.

Leia também: Uso de apixabana e sua relação com a trombose valvular após o TAVI.

Os pacientes que apresentavam v-FMR eram mais jovens, mas com um STS score mais elevado (9,3%). Por sua vez, no grupo a-FMR havia mais mulheres e maior evidência de fibrilação atrial. 

Não houve diferenças em termos de comorbidades nem no que se refere à classe funcional.

Nos achados ecocardiográficos, os pacientes que apresentavam v-FMR tinham uma menor fração de ejeção e maiores diâmetros ventriculares; nos pacientes do grupo a-FMR, um átrio esquerdo de grande tamanho e diâmetros ventriculares pequenos. Nos pacientes cuja causa era DMF, o ORE era maior. Não houve diferenças no que se refere à pressão pulmonar. 

Leia também: Mortalidade e sangramento na escolha do acesso: revisão sistemática.

Não houve diferenças no tempo de procedimento, tempo de fluoroscopia nem no resultado final. Foram usados menos clips no grupo a-FMR. 

O DP foi melhor para DMF em comparação com v-FMR e a-FMR (42,3% vs. 31,5% vs. 21,6%; p < 0,001), respectivamente.

A mortalidade foi maior nos pacientes que apresentaram a-FMR em comparação como DMR e algo menor quando a comparação foi feita com os que apresentaram v-FMR. 

Leia também: Estamos em condições de dar alta no mesmo dia pós-TAVI?

A presença de insuficiência tricúspide se associou a maior mortalidade independentemente da causa da IM. 

Conclusão

Apesar de um excelente resultado do procedimento, os pacientes com a-FMR e v-FMR têm uma evolução clínica pior quando comparados com os que apresentam DMR. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Outcomes After Transcatheter Edge-to-Edge Mitral Valve Repair According to Mitral Regurgitation Etiology and Cardiac Remodeling

Referência: Sung-Han Yoon, et al. J Am Coll Cardiol Intv 2022;15:1711–1722.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

Embolização de dispositivos de oclusão do apêndice atrial esquerdo: preditores, prevenção e estratégias de manejo

A fibrilação atrial se associa com um aumento do risco de AVC e, em pacientes com contraindicação para anticoagulação, a oclusão percutânea do apêndice...

Revascularização coronariana prévia ao TAVI: PCI prévia ou manejo conservador?

A coexistência de doença coronariana (DAC) em pacientes com estenose aórtica severa candidatos a TAVI é frequente, com uma prevalência relatada de entre 30%...

Aspiração mecânica percutânea versus tratamento cirúrgico da endocardite da valva tricúspide: revisão sistemática e metanálise

A endocardite infecciosa da valva tricúspide (TVIE) representa entre 5% e 10% de todos os casos de endocardite infeciosa. O tratamento cirúrgico constitui o...

CRT 2026 | NAVITOR IDE: resultados hemodinâmicos e durabilidade em seguimento de 5 anos de uma válvula aórtica transcateter intra-anular autoexpansível

À medida que o TAVI se expande a uma população mais jovem e de menor risco cirúrgico, a durabilidade das próteses passa a ser...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

ACC 2026 | CHIP-BCIS3: utilização de Impella como suporte na PCI coronariana complexa de alto risco

A utilização de suporte ventricular percutâneo durante a PCI complexa de alto risco foi proposta como uma estratégia para prevenir a deterioração hemodinâmica em...

ACC 2026 | ORBITA-CTO: PCI em oclusões totais crônicas e angina estável. O estudo randomizado que nos faltava?

A angioplastia (PCI) das oclusões totais crônicas (CTO) continua sendo um terreno de debate no contexto da angina estável, com persistente incerteza em seu...

ACC 2026 | HI-PEITHO: estratégia dirigida por cateter (EKOS) em pacientes com TEP agudo de risco intermediário

O tratamento do TEP de risco intermediário continua sendo um cenário de incerteza terapêutica. O estudo inicial PEITHO (2014) demonstrou uma redução da deterioração...