É útil indexar a área luminal mínima à massa ventricular para identificar estenoses funcionais do tronco da coronária esquerda?

Gentileza del Dr. Juan Manuel Pérez.

A avaliação de lesões intermediárias do tronco da coronária esquerda (TCE) continua sendo um desafio, já que a angiografia pode superestimar ou subestimar seu valor funcional. As diretrizes ESC 2024 recomendam o uso de FFR e IVUS para sua avaliação; no entanto, a aplicação de um ponto de corte fixo da área luminal mínima (ALM) para toda a população apresenta limitações diagnósticas. 

O estudo ARMYDA-FINISH, prospectivo, multicêntrico e observacional, avaliou se a indexação da ALM obtida por IVUS em parâmetros antropométricos ou a massa ventricular esquerda (mLVI) melhora a detecção de estenoses significativas (definidas como FFR ≤ 0,80).

O objetivo primário foi comparar o desempenho diagnóstico da ALM indexada (à altura, superfície corporal [SC], índice de massa corporal [IMC] e mLVI) vs. a ALM não indexada na predição de estenoses funcionalmente significativas. Foram incluídos 52 pacientes consecutivos com lesões intermediárias isoladas do TCE (25-69% por angiografia quantitativa, QCA), recrutados entre maio de 2021 e outubro de 2024 em três centros italianos. Todos foram submetidos de maneira sistemática a IVUS e FFR. 

A idade média da coorte foi de 69 anos; 77% da população esteve constituída por homens. O IMC médio foi de 25 kg/m² [RIC 24–29] e a SC foi de 1,9 ± 0,2 m². Todos apresentavam função ventricular esquerda preservada. A mLVI média foi de 187,4 g, sem diferenças significativas entre os grupos com FFR > 0,80 e ≤ 0,80 (186,6 g vs. 218,0 g; p = 0,17). Dos 52 pacientes, 40 (77%) tiveram FFR > 0,80 e 12 (23%) FFR ≤ 0,80. Segundo o QCA, pacientes com FFR ≤ 0,80 mostraram maior severidade morfológica:  maior porcentagem de estenose (56,2 ± 6,3% vs. 43,7 ± 8,1%; p < 0,001), menor diâmetro luminal mínimo (2,04 ± 0,66 mm vs. 2,54 ± 0,71 mm; p = 0,035) e maior comprimento da lesão (13,0 ± 6,4 mm vs. 8,5 ± 4,3 mm; p = 0,006), em comparação com os pacientes com FFR > 0,80. A localização da lesão foi ostial em 36,5% dos casos, no corpo do vaso em 17,3% e na bifurcação em 46,2%. 

Leia também: Dupla antiagregação abreviada com prasugrel: 4D-ACS.

Em termos de resultados, a ALM determinada por IVUS foi significativamente menor nos pacientes com FFR ≤ 0,80 do que naqueles com FFR > 0,80 (4,40 mm² vs. 6,80 mm²; p < 0,001). Ao analisar a ALM indexada à mLVI, observou-se o melhor rendimento diagnóstico, com uma área abaixo da curva (AUC) de 0,91 (p < 0,001) e um ponto de corte ótimo de 29 mm²/kg (sensibilidade y valor preditivo negativo de 100%, e especificidade de 70%). Os índices alternativos baseados em altura, SC ou IMC mostraram valores AUC mais baixos, entre 0,84 e 0,85.

Conclusão 

Um valor de ALM > 29 mm² por cada kg de mLVI (índice ALM/mLVI ≥ 29 mm²/kg) permite descartar com alta segurança estenoses significativas do TCE. No entanto, devido à sua baixa especificidade, um valor abaixo desse limiar não confirma necessariamente a presença de estenose significativa, motivo pelo qual nesses casos o FFR continua sendo indispensável. Futuros estudos de maior magnitude em termos de amostra serão necessários para validar os achados aqui descritos e estabelecer pontes de corte universais. 

Título Original: Minimum Lumen Area Indexed to Left Ventricular Mass to Identify Functionally Significant Left Main Coronary Stenoses.

Referência: Giuseppe Patti, et al. – Catheterization and Cardiovascular Interventions, 2025; https://doi.org/10.1002/ccd.70026.


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