O manejo do tromboembolismo pulmonar (TEP) de risco intermediário-alto e alto continua sendo uma área de incerteza terapêutica, especialmente em pacientes com disfunção do ventrículo direito (VD), nos quais a anticoagulação isolada pode ser insuficiente. Em tal contexto, o registro FLASH contribui com evidência sobre o papel da trombectomia mecânica (TM) com o dispositivo de grande calibre FlowTriever.

Foi apresentada a análise da coorte europeia (n = 200), correspondente a um registro prospectivo multicêntrico que incluiu pacientes “all-comers” com TEP de risco intermediário e alto. Diferentemente da coorte estadunidense, a população europeia incluiu uma proporção significativamente maior de pacientes de alto risco (40,4% vs. 7,9%).
O desfecho primário de eventos adversos maiores em 48 horas (MAE: mortalidade relacionada com o dispositivo, sangramento maior em 48 horas e eventos adversos associados com o dispositivo) foi baixo (1,8%), sem registro de mortalidade atribuível ao dispositivo. A mortalidade global em 30 dias foi de 5,2%, embora claramente maior no subgrupo de alto risco (9,3% vs. 2,6%).
Registro FLASH Europa: trombectomia mecânica com FlowTriever consegue rápida melhora hemodinâmica e reduz taxa de eventos adversos em TEP
Do ponto de vista hemodinâmico foram observadas melhoras imediatas significativas, com redução da pressão arterial pulmonar média (mPAP) de −7 mmHg, diminuição das resistências vasculares pulmonares e aumento do índice cardíaco, o que evidencia um efeito hemodinâmico direto do procedimento.
Em termos de segurança, a taxa de sangramento maior foi baixa (3,1%) e não se observou um incremento de complicações relacionadas com o dispositivo. Não foram registradas mortes atribuíveis ao sistema nem eventos graves associados durante o seguimento de 30 dias.
Um dado relevante foi o impacto na utilização de recursos hospitalares: mais de 50% dos pacientes não requereu admissão na unidade de cuidados intensivos após o procedimento.
Conclusão: trombectomia mecânica em tromboembolismo pulmonar de risco intermediário-alto e alto
Nesta coorte europeia, a trombectomia mecânica mostrou um perfil de segurança favorável e uma rápida melhora hemodinâmica, com resultados clínicos consistentes inclusive em pacientes de maior risco. No entanto, é necessário esperar os resultados de estudos randomizados em andamento (PEERLESS II e PERSEVERE) para definir seu papel diante do tratamento padrão.
Apresentado por Ana Viana Tejedor no Acute Cardiovascular Care Congress 2026, Lisboa, Portugal, 20-21 de março de 2026.
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