Os avanços em tratamentos farmacológicos, equipamentos e dispositivos têm permitido a realização de intervenções coronarianas percutâneas (ATC) em um número crescente de pacientes com uma alta carga de comorbidades e complexidade anatômica. Em tal contexto, o termo ATC complexa foi introduzido na última década para identificar um amplo espectro de intervenções com características anatômicas complexas, como a calcificação severa, a oclusão total crônica, as lesões de bifurcação ou o tratamento de múltiplos vasos.

Até o momento, poucos dados foram publicados sobre a associação entre a ATC complexa e o risco de eventos adversos, desconhecendo-se se a ATC complexa se associa de forma independente com um maior risco de eventos isquêmicos e hemorrágicos.
O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão sistemática e uma metanálise bayesiana para avaliar a associação entre a ATC complexa e o risco de eventos isquêmicos e hemorrágicos.
O desfecho primário foi a taxa de IAM e sangramentos maiores. O desfecho secundário foi definido como morte por todas as causas, trombose do stent, morte cardiovascular, revascularização do vaso tratado ou da lesão tratada e acidente vascular cerebral (AVC).
Foram incluídos 290.039 pacientes, dentre os quais 33% foram submetidos a uma ATC complexa. Em comparação com a ATC não complexa, os pacientes submetidos a ATC complexa apresentaram um maior risco de infarto do miocárdio (HR: 1,71; IC de 95%: 1,49-1,96), hemorragia maior (HR: 1,24; IC de 95%: 1,14-1,35), morte por qualquer causa (HR: 1,21; IC de 95%: 1,12-1,32), morte cardiovascular (HR: 1,29; IC de 95%: 1,15-1,46), trombose do stent (HR: 1,76; IC de 95%: 1,49-2,14), revascularização da lesão ou do vaso tratado (HR: 1,99; IC de 95%: 1,58-2,50) e AVC (HR: 1,21; IC de 95%: 1,03-1,42).
Conclusão: incremento significativo de sangramentos maiores e mortalidade em pacientes com ATC complexa
Em conclusão, nossa revisão sistemática e metanálise concluiu que a ATC complexa se associa com um maior risco de eventos isquêmicos, incluindo infarto do miocárdio, trombose do stent e revascularização da lesão ou do vaso tratado em comparação com a ATC não complexa. Além disso, a ATC complexa representa um maior risco de hemorragia maior. Estes achados ressaltam o incremento do risco associado à ATC complexa em termos de complicações isquêmicas e hemorrágicas.
Título original: Ischaemic and bleeding events after complex versus non-complex PCI: a systematic review and meta-analysis.
Referência: Raffaele Piccolo et al. EuroIntervention 2026;22:e402-e414.
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