A síndrome pós-trombótica (SPT) é uma das sequelas mais limitantes após uma trombose venosa profunda (TVP) proximal. Manifesta-se clinicamente como dor crônica, edema, alterações cutâneas e úlceras venosas, com um impacto direto na atividade diária e na qualidade de vida.

O estudo C-TRACT teve como objetivo avaliar se uma estratégia de tratamento endovascular com implante de stent venoso ilíaco, associada a terapia antitrombótica e a cuidado padrão da SPT poderia reduzir a severidade clínica da doença em comparação com o tratamento padrão isolado.
Tratou-se de um estudo multicêntrico, randomizado, de caráter aberto, com avaliação cega de eventos, realizado em 29 centros dos Estados Unidos. Foram incluídos pacientes com SPT moderada ou severa e obstrução venosa ilíaca confirmada por imagens. A randomização foi 1:1 a terapia endovascular mais tratamento padrão ou a tratamento padrão exclusivamente.
O desfecho primário (DP) foi a severidade da SPT em 6 meses, avaliada mediante o Venous Clinical Severity Score (VCSS). Entre os desfechos secundários foram analisados a qualidade de vida específica venosa, a qualidade de vida global, o escore de Villalta, o volume da panturrilha afetada, a presença de úlcera venosa, os sangramentos, a recorrência sintomática de tromboembolismo venoso e a mortalidade.
Leia também: ATC complexa: maior risco isquêmico e hemorrágico na prática contemporânea.
Foram randomizados 224 pacientes, com uma idade média de 56,1 anos, quase a metade de sexo feminino e um VCSS basal de 12,5 pontos. No ramo endovascular, o procedimento foi realizado, em média, 16 dias após a randomização e o implante de stent foi bem-sucedido em 96,1% dos casos (foram usados principalmente stents Abre). Em 6 meses, o DP foi favorável à estratégia invasiva, com um VCSS de 8,1 ± 5,1 vs. 10,0 ± 4,9, com uma diferença ajustada de -2,0 pontos (IC de 95%: -3,2 a -0,8; p = 0,001), consistente nas análises de sensibilidade.
No tocante à qualidade de vida, o VEINES-QOL foi de 62,8 ± 24,6 vs. 48,6 ± 26,7, com uma diferença ajustada de 14,5 pontos (IC de 95%: 9,5 a 19,4; p < 0,001). O escore de Villalta também foi menor no grupo endovascular (8,2 ± 5,7 vs. 12,3 ± 6,4; diferença de -4,1 pontos; IC de 95%: -5,5 a -2,7). Não foram observadas diferenças no volume da panturrilha nem na presença de úlcera venosa aberta no seguimento de 6 meses.
Em termos de segurança, o grupo endovascular apresentou uma maior incidência de sangramentos. O sangramento total ocorreu em 11,6% do grupo endovascular e em 3,6% do grupo controle, com um risco relativo de 3,22 (IC de 95%: 1,07 a 9,69; p = 0,03), guiado principalmente por sangramentos não maiores. A recorrência sintomática de tromboembolismo venoso foi baixa e similar entre os grupos (2,7% vs. 3,6%), bem como a mortalidade.
Conclusões: terapia endovascular com stent ilíaco reduz a severidade da síndrome pós-trombótica em seguimento de 6 meses
Em pacientes com síndrome pós-trombótica moderada ou severa e obstrução ilíaca, a estratégia de angioplastia venosa com implante de stent associada a tratamento antitrombótico intensificado reduziu a severidade do quadro e melhorou de maneira significativa a qualidade de vida em 6 meses em comparação com o tratamento padrão realizado isoladamente.
Título original: Endovascular Therapy for Post-Thrombotic Syndrome – A Randomized Trial.
Referência: Vedantham S, Kahn SR, Marston WA, Weinberg I, Sista AK, Magnuson EA, Cohen DJ, Wasan SM, Razavi MK, Goldhaber SZ, Sanfilippo KM, Comerota AJ, Azene EM, Chaar CIO, Leung DA, Kolli KP, Kalva SP, Rostambeigi N, Desai A, Desai KR, Tafur AJ, Khalsa B, Majerus E, Wang B, Wang Y, Nieters P, Derfler MC, Oliver A, Hardy C, Bashir R, Winokur R, Weger N, Khaja MS, Sharma A, Mani N, Kavali P, Thukral S, Lake LL, Mikkelsen K, Parpia S; C-TRACT Trial Investigators. Endovascular Therapy for Post-Thrombotic Syndrome – A Randomized Trial. N Engl J Med. 2026 Apr 13:10.1056/NEJMoa2519001. doi: 10.1056/NEJMoa2519001. Epub ahead of print. PMID: 41972998; PMCID: PMC13078690.
Suscríbase a nuestro newsletter semanal
Reciba resúmenes con los últimos artículos científicos





