Prasugrel não inferior a Ticagrelor em infarto agudo do miocárdio 

Título original: Comparison of Prasugrel and Ticagrelor loading doses in STEMI patients: The Rapid Activity of Platelet Inhibitor Drugs (RAPID) primary PCI Study. Referência: Guido Parodi et al. J Am Coll Cardiol 2013. Article in press.

As Guias atuais recomendam utilizar prasugrel ou ticagrelor nos pacientes (ptes) com síndromes coronárias agudas com supradesnível do segmento ST nos quais será realizada angioplastia primária. 

O início rápido tanto do prasugrel como do ticagrelor poderiam maximizar o efeito da bivalirudina e potencialmente diminuir o risco de trombose aguda do stent. Porém, a farmacodinâmica logo da dose de ataque, em ambas drogas, tem sido medida somente em voluntários sadios ou em ptes coronários estáveis pelo que este estudo foi desenhado para comparar a ação do prasugrel e o ticagrelor em ptes cursando um infarto agudo do miocárdio que receberam angioplastia primária e bivalirudina como monoterapia.

O estudo RAPID randomizou 50 ptes com uma dose de ataque de 60 mg de Prasugrel ou 180 mg de Ticagrelor. A dose foi administrada o mais rápido possível no departamento de Emergências ou na sala de Cateterismos concomitantemente com aspirina e bivalirudina. O uso de heparina foi desaconselhado e o de inibidores da glicoproteína IIBIIIA proibido. A reatividade plaquetária foi medida no momento de receber a dose de ataque e depois às 2, 4, 8 e 12 horas (h) com VerifyNow®. Definiu-se reatividade plaquetária residual alta a um valor ≥ 240 PRU (platelet reactivity units). O critério de avaliação primário foi a reatividade plaquetária residual às 2 h da dose de ataque.

36% dos ptes receberam a dose de ataque no departamento de Emergências e 64% na sala de Cateterismos. Às 2 h da dose de ataque a reatividade plaquetária média foi de 242 PRU, sem diferenças entre o prasugrel e o ticagrelor (217 PRU vs 275 PRU respectivamente; p=0.207). O prasugrel resultou não inferior ao ticagrelor em inibir a atividade plaquetária às 2 h da dose de ataque. O tempo médio para atingir uma reatividade plaquetária residual < que 240 foi de 3±2 h para o prasugrel e de 5±4 h para o ticagrelor. Os indicadores independentes para não atingir este valor às 2 h foram o uso de morfina (OR 5.29, IC 1.44-19.49; p=0.012) e o valor basal de atividade (OR 1.014, IC 1-1.03; p=0.046). Observou-se uma maior incidência de dispnéia e nefropatia por contraste no grupo ticagrelor. Um pte com reatividade plaquetária residual alta que recebeu prasugrel apresentou trombose do stent às 3 h do procedimento.

Conclusão: 

Nos pacientes cursando uma síndrome coronária aguda com supradesnível de segmento ST que receberam angioplastia primária com bolo e infusão de bivalirudina, o prasugrel resultou não inferior ao ticagrelor em termos de reatividade plaquetária residual às 2 horas da dose de ataque. Ambas drogas fornecem uma inibição plaquetária efetiva às 2 horas somente na metade dos pacientes precisando, a maioria deles, ao menos 4 horas.

Comentário editorial: 

Embora deva-se confirmar que estes resultados resultam em eventos clínicos, ambas drogas em termos de reatividade plaquetária residual às 2 horas deixam a desejar com somente a metade dos ptes em uma faixa aceitável. Considerando esta demora na ação, a dose de ataque deve ser administrada apenas seja feito o diagnostico e não esperar a entrada do paciente na sala de cateterismos. Tal vez, a via oral seja o talão de Aquiles destas drogas e o cangrelor possa solucionar o problema, mas falta tempo para conhecer a resposta pois a efetividade do cangrelor ainda não foi testada contra prasugrel ou ticagrelor. Por outro lado, chama a tenção o retardo do efeito nos que receberam morfina, tal vez isto poderia ser explicado porque a diminuição da motilidade gastrointestinal provocada pelo opióide estaria associada a uma absorção mais lenta do antiagregante. 

SOLACI.ORG

Mais artigos deste autor

Manejo da trombose valvar em TAVI: enfoque atual baseado em evidência

A expansão do implante transcateter da valva aórtica (TAVI) em populações mais jovens e de menor risco colocou em primeiro plano a trombose da...

Experiência com a válvula intra-anular autoexpansível Navitor: dados do registro STS/ACC TVT

A expansão do TAVI, com a introdução de dispositivos de nova geração, tem priorizado não só a segurança periprocedimento mas também a preservação do...

ACC 2026 | Seguimento prolongado do estudo TRI-FR: reparação percutânea borda a borda em insuficiência tricúspide severa isolada

A insuficiência tricúspide (IT) severa se associa a congestão venosa sistêmica crônica, hospitalizações recorrentes por insuficiência cardíaca (ICAD) e uma deterioração significativa da qualidade...

ACC 2026 | Protect The Head-To-Head Trial: comparação randomizada entre o sistema de proteção embólica Emboliner versus o Sentinel durante TAVI

O acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico continua sendo uma das complicações mais temidas do TAVI, com uma incidência relativamente baixa, mas persistente, de 2–4%,...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Nota de pesar pelo falecimento do Dr. Eugene Braunwald

A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista (SOLACI) manifesta seu profundo pesar pelo falecimento do Dr. Eugene Braunwald, figura central no desenvolvimento da cardiologia contemporânea...

ATC complexa: maior risco isquêmico e hemorrágico na prática contemporânea

Os avanços em tratamentos farmacológicos, equipamentos e dispositivos têm permitido a realização de intervenções coronarianas percutâneas (ATC) em um número crescente de pacientes com...

Embolização com coils de artérias segmentares como estratégia de proteção medular prévia à recuperação endovascular complexa de aorta toracoabdominal

A isquemia medular continua sendo uma das complicações mais devastadoras na recuperação de aneurismas toracoabdominais, com incidência de até 20-30% em reparações extensas. Nesse...