Fechamento percutâneo vs cirúrgico da comunicação inter ventricular peri membranosa

Título original: Transcatheter versus Surgical Closure of Perimembranous Ventricular Septal Defects in Children: A Randomized Controlled Trial. Referência: Jian Yang et al. J Am Coll Cardiol. 2014; Epub ahead of print.

 

A comunicação interventricular (CIV) é a cardiopatia congénita mais frequente, sendo a variedade peri membranosa a mais comum. Em países como os Estados Unidos a cirurgia é considerada o tratamento de escolha para esta variedade de CIV pois nos estudos iniciais o fechamento percutâneo apresentou uma chance alta (2.9 a 5.7%) de bloqueio átrio ventricular completo. Sem embargo, em países em desenvolvimento como a China ou a Índia, o fechamento percutâneo tem mostrado baixa mortalidade e mobilidade utilizando dispositivos de nitinol especialmente modificados para a variedade peri membranosa.

Entre janeiro de 2009 e julho de 2010, 465 pacientes de entre 3 e 12 anos com diagnóstico de CIV peri membranosa foram avaliados clinicamente e com ecocardiografia trans torácica em 3 centros de alto volume de China, ficando finalmente 229 que cumpriram os critérios de inclusão e exclusão para serem randomizados a tratamento cirúrgico (n=115) e fechamento percutâneo (n=114).

Os pacientes randomizados a fechamento percutâneo receberam o dispositivo Shanghai pmVSD occluder (Lepu Medical Technology Co, Ltd, Beijing, China) desenhado especialmente para as CIV peri membranosas. No caso da cirurgia foi utilizada a sutura direta ou um parche de Dacron ou pericárdio dependendo do tamanho.

A idade média foi de 5.8 ± 2.4 anos no grupo cirúrgico vs 5.5 ± 2.6 no grupo percutâneo (p=0.398). Também não houve diferencias no resto das características basais incluindo o tamanho do defeito.

Não foram observadas mortes, strokes ou outras complicações maiores intra hospitalares. Houve 32 (32.3%) complicações menores no grupo cirúrgico vs 7 (6.9%) no grupo percutâneo (p<0.001). Em 2 anos também não foram reportadas mortes, déficits neurológicos, trombo embolismos, endocardite ou bloqueios átrio ventriculares completos. O volume de fim de diástole avaliado por ecocardiografia (Z score) diminuiu significativamente em ambos grupos.

Conclusão

Tanto o fechamento cirúrgico como o percutâneo resultaram efetivos e com excelentes resultados a médio prazo para tratar as comunicações interventriculares peri membranosas. Neste trabalho, o fechamento percutâneo resultou com menor incidência de injuria miocárdica, necessidade de transfusões, permanência hospitalar, custos económicos e tempo de recuperação.

Comentário editorial

Os tipos tubular e infundibular  de CIV peri membranosa resultaram tecnicamente mais simples para tratar em forma percutânea que o tipo aneurismático onde se bem que possível faltam mais cuidados.

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