Tratamento endovascular em isquemia crítica de membros inferiores, melhor permeabilidade com similar mortalidade e amputação que a cirurgia.

Título original: Comparative effectiveness of endovascular and surgical revascularization for patients with peripheral artery disease and critical limb ischemia. Referência: W. Schuyler Jones et al. American Heart Journal 2014. Epub ahead of print.

 

A isquemia crítica de membros inferiores é a condição mais severa que afeta a pacientes com doença vascular periférica. A mortalidade, morbilidade e custos associados a esta condição estão bem documentados, no entanto o tratamento ótimo que possa preservar o membro inferior, melhorar a capacidade funcional e diminuir a mortalidade não está claro ainda. 

Na última atualização das guias do ACC/AHA não existe uma recomendação clara a respeito. Esta meta análise incluiu 23 estudos (1 randomizado e 22 observacionais) para comparar a mortalidade, sobrevida livre de amputação, cicatrização de úlceras, qualidade de vida, revascularização repetida e permeabilidade do vaso em 12779 pacientes com isquemia crítica que receberam revascularização cirúrgica ou endovascular. 

 Não  foram observadas diferenças em mortalidade global em um ano, em dois anos e além dos 3 anos entre as duas estratégias do mesmo modo que na taxa de amputação do membro inferior afetado (OR 1.06, 0.70-1.59). 

A taxa de permeabilidade primária favoreceu o tratamento endovascular (OR 0.63, 0.46–0.86), observando algo similar com a permeabilidade secundária tanto ao ano como aos  2 e 3 anos (OR 0.49, 0.28–0.85). A angioplastia sub-intimal esteve associada com uma tendência não significativa a piores resultados que a angioplastia padrão. 

Conclusão

A evidência disponível relativas ao tratamento dos pacientes com isquemia crítica de membros inferiores está limitada na sua grande maioria a estudos observacionais, encontrando na bibliografia só um estudo que randomizou estes pacientes a cirurgia ou angioplastia. Não impressiona que houvesse diferenças significativas em pontos duros como mortalidade ou taxa de amputação embora obviamente fazem falta mais estudos. 

Comentário editorial 

O único estudo que randomizou pacientes com isquemia crítica a alguma das duas estratégias (Bypass versus angioplasty in severe ischemia of the leg (BASIL) Lancet. 2005) recrutou pacientes há mais de 10 nos e de fato não permitia o implante de stent na estratégia endovascular. A introdução posterior de múltiplos dispositivos faz com que os resultados deste estudo sejam pouco úteis para tomar uma decisão clínica hoje. Recentemente o National Institutes of Health anunciou que financiará o estudo BEST (Best Endovascular versus best Surgical Therapy for Critical Limb Ischemia) que vai responder vários interrogantes, no entanto, a estratégia deve ser decidida de acordo à experiência de cada centro. 

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