O bloqueio completo de rama esquerda logo do TAVI não está associado a maior mortalidade a 12 meses

Título original: Impact of New-Onset Persistent Left Bundle Branch Block on late Clinical Outcomes in Patients Undergoing Trancatheter Aortic Valve implantation with a Balloon –Expandable Valve. Referência: Urena Marina, el al. JACC Cardiovasc Interv. 2014 Feb;7(2):128-36.

O implante percutâneo da válvula aórtica traz consigo em ocasiões o aparecimento de bloqueio completo de rama esquerda (BCRE) permanente, que em algumas series tem sido associado com pior prognóstico embora seu verdadeiro valor continua sendo controvertido. 

Neste estudo analisaram-se 668 pacientes que receberam implante valvular aórtico percutâneo com a válvula balão expansível. Do total, 128 (19.2%) desenvolveram BCRE imediatamente logo do procedimento, sendo persistente logo da alta em 79 pacientes (11.8%). 

Os que desenvolveram novo BCRE foram de menor idade, mais hipertensos e diabéticos, o procedimento foi realizado por via apical e receberam válvulas de maior tamanho (29 mm.), este último foi um preditor de novo BCRE. No seguimento médio a 13 (3-27) meses, observou-se uma mortalidade por qualquer causa praticamente idêntica entre ambos grupos (27.8% vs. 28.4%; p = 0.54) do mesmo modo que a taxa de ré hospitalizações. 

Se houve maior necessidade de marca-passo definitivo durante o seguimento entre os que desenvolveram BCRE (13.9% vs. 3.0%; p < 0.001). A ausência de melhora na fração de ejeção (FEY) e uma pior classe funcional foram outras diferenças para os que apresentaram BCRE. A presencia de hipertensão, a utilização do acesso trans apical e a presença de um novo BCRE foram preditores de uma menor melhora da FEY. 

Conclusão 

A presença de um novo bloqueio completo de rama esquerda persistente foi associado a uma taxa mais alta de marca-passo definitivo, à ausência de melhora da fração  de ejeção e a uma pior classe funcional mas não aumentou o risco de mortalidade de qualquer causa ou ré hospitalização a um ano. 

Comentário 

Esta análise nos mostra que o novo BCRE persistente foi associado à utilização de válvulas de maior tamanho e por acesso apical, seguramente devido a maior comprometimento local, isto não foi associado com maior mortalidade nem hospitalização a 12 meses, mas sim com a maior necessidade de marca-passo definitivo, menor FEY e pior classe funcional. 

Em outras análises sobre este grupo de pacientes, o novo BCRE foi associado a um pior prognóstico no mesmo período de tempo. Mais investigação a respeito é necessária para chegar a uma conclusão definitiva. 

Gentileza do Dr Carlos Fava.
Cardiologista Intervencionista
Fundação Favaloro
Argentina 

Dr. Carlos Fava para SOLACI.ORG

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