Substituição valvular aórtica percutânea em pacientes com baixa fração de ejeção, resultados comparáveis ao grupo com boa fração de ejeção.

Titulo Original: Relation of Pre-procedural Assessment of Myocardial Contractility Reserve on Outcomes of Aortic Stenosis Patients with Impaired Left Ventricular Function Undergoing Transcatheter Aortic Valve Implantation Referência: Israel M. Barbash et al. Am J Cardiol. 2014, Epub ahead of print.

 

A implantação da válvula aórtica transcateter (TAVI) está associada com uma melhora da função do ventrículo esquerdo (VE) nos pacientes com estenose aórtica (EA) e disfunção do VE, no entanto, os resultados clínicos post- TAVI de pacientes com baixa fracção de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) não estão claros. 

Este estudo teve como objetivo pesquisar as características basais do procedimento e  os resultados a longo prazo de pacientes com baixa FEVE sometidos a TAVI e  avaliar a utilidade prognóstica da valvuloplastia aórtica com balão (BAV) pré – TAVI bem como também o ecocardiograma com dobutamina para predizer benefícios pós TAVI. 

Foram analisados todos os pacientes submetidos a TAVI com estenose aórtica sintomática grave desde 2007 a 2013. Dois grupos foram comparados: Normal, com função ventricular esquerda normal (FEVE > 45 %) e  anormal com FEVE ≤ 45 % no inicio do estudo. 

No total foram incluídos 371 pacientes, 272 (73 %) tinham FEVE conservada e  99 (27%) tinham FEVE baixa. Os pacientes com FEVE baixa tiveram uma pontuação maior segundo a Society of Thoracic Surgeons e  a EuroSCOREs. No curto e longo prazo a mortalidade foi similar entre ambos grupos (mortalidade ao ano: 22,2 % FEVE normal vs 22,4 % FEVE anormal, p = 0,79). 

Entre os pacientes com baixa FEVE, um 24 % demonstraram melhora (≥ 10 %) da FEVE aos 30 dias. Este último grupo de pacientes com melhora da FEVE tiveram menor mortalidade a 1 ano que os que não melhoraram a FEVE (8 % vs 27 %, p = 0,06). Por outro lado, a existência de reserva contráctil objetivada por ecocardiograma stress com dobutamina não predisse a recuperação FEVE entre os pacientes com baixa FEVE, mas predisse, sim, uma menor mortalidade. A recuperação da FEVE depois da valvuloplastia aórtica se foi capaz de predizer uma maior melhora da FEVE pós TAVI. 

Conclusão 

Os pacientes com estenose aórtica severa e  alteração da função do ventrículo esquerdo beneficiam-se da substituição valvular percutânea e  têm resultados pós TAVI comparáveis aos pacientes do grupo com função preservada. Tanto o ecocardiograma stress com dobutamina como a valvuloplastia aórtica proporcionam dados complementários com respeito à recuperação da FEVE e  à mortalidade peri procedimento. 

Comentário Editorial 

Muitas vezes nos perguntamos qual vai ser  prognóstico de nossos pacientes com baixa FEVE sometidos a TAVI e  neste manuscrito podemos ver que têm, globalmente, una mortalidade similar ao grupo de pacientes com FEVE conservada, isto não costuma acontecer na substituição valvular 

aórtica cirúrgica já que a FEVE é um preditor de pior prognóstico e  maior mortalidade tanto no STS como no Euroscore. Se bem que, apenas uma quarta parte dos pacientes recuperou mais de 10 % da FEVE a 30 dias, o beneficio global ficou evidente no grupo todo embora os pacientes que melhoraram a FEVE tiveram menor mortalidade. A valvuloplastia aórtica pré TAVI parece ser uma boa ferramenta para pesquisar quais pacientes melhoraram a FEVE pós TAVI e  qual grupo não. O aumento da contractilidade com dobutamina (reserva contráctil) parece ser uma boa ferramenta para predizer menor mortalidade embora não possa garantir que esse paciente recuperará a FEVE. 

Gentileza Dr. Matías Sztejfman.
Cardiologista Intervencionista.
Sanatório Güemes. Argentina. 

Dr. Matías Sztejfman

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