Core Valve em pacientes de alto risco, superior à substituição cirúrgica ao ano

Título original: Transcatheter Aortic-Valve Replacement with a Self-Expanding Prosthesis. Referência: David H. Adams et al. N Engl J Med. 2014 Mar 29. [Epub ahead of print].

A substituição valvular aórtica transcateter (TAVR) com a válvula balão expansível demonstrou melhorar a sobrevida em pacientes inoperáveis e ser similar à cirurgia em pacientes operáveis mas de alto risco.

Uma alternativa ao dispositivo anterior é a prótese auto expansível de nitinol com uma válvula tri valva de pericárdio porcino (Core Valve, Medtronic) que já demonstrou diminuir a mortalidade e o stroke maior vs o melhor tratamento médico em pacientes inoperáveis.

Este trabalho foi desenhado para avaliar a segurança e eficácia da substituição transcateter com a prótese Core Valve comparada com a substituição cirúrgica em pacientes de alto risco.

Considera-se de alto risco cirúrgico se 2 Cirurgiões e um Cardiólogista Intervencionista estimaram que o risco de morte a 30 dias logo da cirurgia era ≥ 15% mas a combinação de morte e complicação irreversível era menor que 50%. A estimação do risco incluía o cálculo do score STS PROM (Society of Thoracic Surgeons Predicted Risk of Mortality) que atingiu 7.4% de média.

Foram avaliados 995 pacientes em 45 centros de Estados Unidos sendo finalmente incluídos e randomizados 795 dos quais 390 receberam a válvula CoreValve (323 por acesso íleo-femoral e 67 por outros acessos) e 357 receberam cirurgia convencional. 

A tasa de morte por qualquer causa ao ano (end point primário) foi menor para CoreValve que para cirurgia (14.2% vs 19.1%) o que representa uma redução absoluta do risco de 4.9% (p<0.001 para não inferioridade e p=0.04 para superioridade).

O combinado de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares ao ano também resultou significativamente mais baixo com TAVR (20.4% vs. 27.3%; p= 0.03). Considerando somente os strokes a 30 dias, a taxa foi de 4.9% para CoreValve e de 6.2% para cirurgia (p=0.46), ao ano a taxa atingiu 8.8% e 12.6% respectivamente (p=0.10).

As complicações vasculares maiores e a necessidade de marca-passo foram mais frequentes com TAVR e por outro lado, o sangramento, a insuficiência renal aguda e a nova fibrilação auricular foram mais frequentes com cirurgia. A insuficiência aórtica para valvular foi significativamente maior no grupo TAVR em todos os cortes de tempo.

Conclusão

Este trabalho comparou a substituição valvular aórtica transcatéter com a válvula auto expansível CoreValve vs a substituição cirúrgica em pacientes com estenose aórtica severa sintomática e risco cirúrgico incrementado observando uma significativa redução da mortalidade por qualquer causa ao ano com a substituição transcatéter. 

Comentário editorial

O benefício na sobrevida foi consistente nos 9 subgrupos pré especificados por protocolo. Muito além do cálculo do escore de STS, foi muito importante neste estudo a avaliação por uma equipe multidisciplinar que levou em conta muitos outros fatores não avaliados no STS nem em outros escores disponíveis. A maioria (76.2%) dos pacientes que apresentavam insuficiência moderada/severa na alta evolucionaram com insuficiência leve ou sem insuficiência ao ano.

SOLACI.ORG

Mais artigos deste autor

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...

T-TEER: para além dos limiares tradicionais de hipertensão pulmonar

A insuficiência tricúspide (IT) significativa se associa à deterioração funcional progressiva, a hospitalizações por insuficiência cardíaca (IC) e ao aumento da mortalidade. Nos últimos...

A oclusão do apêndice atrial esquerdo é segura em pacientes com fração de ejeção reduzida?

Os pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) foram excluídos dos principais estudos randomizados sobre oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...