Perviedade do arco plantar, o desafio na isquemia crítica

Título original: Outcomes of Straight-Line Flow UIT and Without Pedal Arch in Patients UIT Critical Limb Ischemia. Referencia: Akihiro Higashimori, et al. Catheterization and cardiovascular Intervention 2016;87:129-133

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

Estabelecer uma linha de fluxo infrapatelar com perfusão do arco plantar na isquemia crítica de membros inferiores se constitui em um verdadeiro desafio, muitas vezes de impossível concreção.

Foram analisados 137 pacientes com isquemia crítica e um só vaso pérvio de saída. Destes, em 76 se alcançou a perviedade do arco plantar e em 61 não foi possível alcançá-la.

As características de ambos os grupos foram similares, exceto pela presença de úlceras plantares, diálise e insuficiência cardíaca, que foi mais frequente nos pacientes nos quais não se alcançou a perviedade do arco plantar.

A um ano, os pacientes nos quais se alcançou a perviedade do arco plantar apresentaram uma melhor sobrevida livre de amputação maior (88,2% vs. 65,6%; p < 0,01), maior preservação do membro (98,4% vs. 89,3%; p = 0,03) e uma maior tendência à cicatrização.

Conclusão
Em pacientes com isquemia crítica que apresentam um só vaso de saída é essencial estabelecer uma linha de fluxo direta ao arco plantar para melhorar a evolução.

Comentário editorial
A angioplastia infrapatelar é complexa e demanda muito tempo de procedimento para obter uma revascularização rumo ao arco plantar. Devemos ser pacientes e agressivos para alcançar uma revascularização que se traduza em diminuição da taxa de amputações.

A presença de insuficiência cardíaca, diálise e úlceras tem impacto negativo no resultado.

A utilização dos angiossomas para direcionar a angioplastia a um território desejado talvez ajude a melhorar a evolução, embora haja trabalhos que não compartilhem esta teoria devido à presença de circulação colateral.

Gentileza do Dr. Carlos Fava.
Cardiologista Intervencionista
Fundación Favaloro – Buenos Aires

Mais artigos deste autor

Um novo paradigma na estenose carotídea assintomática? Resultados unificados do ensaio CREST-2

A estenose carotídea severa assintomática continua sendo um tema de debate diante da otimização do tratamento médico intensivo (TMO) e a disponibilidade de técnicas...

Impacto da Pressão Arterial Sistólica Basal nas Alterações Pressóricas após a Denervação Renal

A denervação renal (RDN) é uma terapia recomendada pelas diretrizes para reduzir a pressão arterial em pacientes com hipertensão não controlada, embora ainda existam...

Hipertrigliceridemia como fator-chave no desenvolvimento do aneurisma de aorta abdominal: evidência genética e experimental

O aneurisma de aorta abdominal (AAA) é uma patologia vascular de alta mortalidade, sem opções farmacológicas efetivas e com um risco de ruptura que...

Fibrilação Atrial e Doença Renal Crônica: Resultados de Diferentes Estratégias de Prevenção de Acidente Vascular Cerebral

A fibrilação atrial (FA) afeta aproximadamente 1 em cada 4 pacientes com doença renal terminal (DRT). Essa população apresenta uma alta carga de comorbidades...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Tratamento antiplaquetário dual em pacientes diabéticos com IAM: estratégia de desescalada

A diabetes mellitus (DM) é uma comorbidade frequente em pacientes hospitalizados por síndrome coronariana aguda (SCA), cuja prevalência aumentou na última década e se...

COILSEAL: Utilização de coils na angioplastia coronariana: uma ferramenta de valor nas complicações?

A utilização de coils como ferramenta de oclusão vascular tem experimentado uma expansão progressiva, partindo de seu uso tradicional em neurorradiologia até incorporar-se ao...

Tratamento da reestenose intrastent em vasos pequenos com balões recobertos de paclitaxel

A doença arterial coronariana (DAC) em vasos epicárdicos de menor calibre se apresenta em 30% a 67% dos pacientes submetidos a intervenção coronariana percutânea...