MitraClip: deveríamos indicá-lo mais precocemente?

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

A insuficiência mitral severa não passível de cirurgia pelo alto risco cirúrgico se associa a certo deterioro da função renal com o transcorrer do tempo. A informação disponível em pacientes com insuficiência renal que receberam MitraClip é ainda escassa.

 

Foram analisados os pacientes que receberam MitraClip e apresentaram deterioro da função renal (DFR).

 

Considerou-se deterioro da função renal uma filtração glomerular de < 60 ml/min/1,73m2 (estágios 3 e 4).

 

O sucesso do implante do dispositivo foi definido como uma insuficiência mitral residual ≤ 2 +. O Desfecho de Segurança foi a incidência de eventos adversos cardiovasculares superiores a 30 dias e o Desfecho de Eficácia foi a liberdade de morte, cirurgia valvar mitral ou insuficiência mitral ≥ 3+ em 12 meses.

 

Foram incluídos 214 pacientes que receberam MitraClip, dos quais 113 (52,8%) apresentaram DFR, sendo que 91 se encontravam em estágio 3 e 22 em estágio 4.

 

Os que apresentavam DFR tinham maior idade, eram majoritariamente mulheres, tinham EuroScore e STS mais alto, maior calcificação do anel mitral e das valvas e taxa mais alta de anemia. A fração de ejeção, as dimensões ventriculares e a classe funcional foram similares entre os grupos.

 

O sucesso do implante foi alto nos dois grupos (97,3% vs. 99%) com uma marcante maioria da insuficiência mitral. Não houve diferença no número de clips, tempo de procedimento, contraste e estadia hospitalar.

 

No Desfecho de Segurança de 30 dias foram observados mais eventos nos pacientes que apresentavam DFR devido basicamente a um maior deterioro da função renal. A melhora da classe funcional e a redução da insuficiência mitral foram similares.

 

Em um ano, o desfecho de eficiência foi menor no grupo de DFR (65,8% vs. 84,2%; p = 0,005) assim como a liberdade de rehospitalização e morte. A manutenção da melhora inicial da insuficiência mitral e da classe funcional também foram menores nesse grupo.

 

Os preditores de eventos adversos foram a anemia, o DFR, a classe funcional IV, a insuficiência mitral ≥ 3+ em 12 meses, a presença de calcificação do anel mitral e a calcificação das valvas.

 

Conclusão
Os pacientes com deterioro da função renal apresentaram uma pior evolução comparando-se com os que apresentaram função renal conservada pós-implante de MitraClip. O deterioro da função renal foi um preditor independente de desfecho de eficácia, enquanto que a calcificação das valvas foi um preditor independente de IM ≥ 3+ em 12 meses.

 

Comentário editorial
O deterioro da função renal se associa a uma redução do benefício do MitraClip em um ano. Talvez seja conveniente mudar a estratégia de tratamento e indicá-lo antes que se deteriore a função renal que se associa à calcificação do anel valvular e das valvas.

 

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

 

Título original: Impact of chronic kidney disease on outcome after percutaneous mitral valve repair with MitraClip system: insights from the GRASP registry.

Referência: Yohei Ohno, et al. EuroIntervention 2016;11 :1649-1657.


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