Trombose do stent: Análise comparativa entre BMS, DES e BVS

Título original: Stent Thrombosis with Drug Eluting Stents and Bioresorbable Scaffolds. Evidence from a Network Meta-Analysis of 147 trials.

Referência: Kang S et al. J Am Coll Cardiol Intv 2016 doi 10.1016.

Gentileza do Dr. Guillermo Migliaro.

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Os stents eluidores de fármacos (DES) se tornaram dispositivos essenciais durante a angioplastia para o tratamento da doença coronariana. Sua principal vantagem é a diminuição da reestenose em comparação com os stents metálicos (BMS). No entanto, um aumento da trombose do stent (ST) com os dispositivos de primeira geração levaram à criação de dispositivos com struts mais finos, com polímeros permanentes biocompatíveis, biodegradáveis ou, inclusive, sem polímeros, o que deu origem aos DES de segunda e terceira geração.

Embora a recente incorporação das plataformas bioabsorvíveis (BVS) apresente algumas vantagens teóricas em relação aos DES, seus resultados foram similares e implicariam um aumento da incidência de ST quando comparados com estes últimos.

Neste trabalho, realizou-se uma revisão sistemática e a metanálise dos estudos comparativos que incluíram BMS, DES e BVS para avaliar a segurança e eficácia dos mesmos. Foram incluídos 147 estudos randomizados com um total de 126.526 pacientes. No trabalho realizado, comparou-se pelo menos dois dos seguintes dispositivos:

  • BMS;
  • DES (paclitaxel, sirolimus, zotarolimus e everolimus) em suas duas plataformas de cromo-cobalto e platina. Com polímeros biodegradáveis (everolimus e biolimus), stents híbridos eluidores de sirolimus e stents sem polímeros;
  • BVS

O desfecho primário de segurança foi avaliar a trombose definitiva ou provável do stent durante seguimento de um ano. Como desfechos secundários de eficácia foram incluídos a necessidade de novas revascularizações e mortalidade total, cardíaca e infarto do miocárdio.

 

Resultados

  • Todos os DES exceto os eluidores de paclitaxel e os BVS foram superiores aos BMS no desfecho primário, no primeiro ano de seguimento, com um OR de 0,44 (IC 0,16-0,92, p =< 0,05) para BVS comparado com os DES eluidores de everolimus.

 

  • Os DES de everolimus em suas duas plataformas e os híbridos de sirolimus se associaram significativamente a menor ST com um OR de 2,28 (IC 1,07-6,29, p =< 0,05) comparados com BVS, um OR de 3,29 comparado com BMS (IC 2,27-4,34, p =< 0,05) e um OR de 2,79 (IC 2,03-3,88, p =< 0,05) comparado com os DES de paclitaxel.

 

  • A mortalidade – cardíaca e total – não revelou diferenças significativas entre os grupos. A incidência de infarto agudo do miocárdio foi similar à incidência observada de ST.

 

  • Todos os DES e os BVS reduziram significativamente a necessidade de novas revascularizações comparados com os BMS. Os stents eluidores de paclitaxel e de zotarolimus de primeira geração foram inferiores quando comparados com o resto dos DES. Os BVS tiveram um risco de novas revascularizações similar ao resto dos DES.

 

Conclusão

Os autores concluem que todos os DES contemporâneos mostraram um risco baixo de ST em um ano de seguimento. Os BVS demonstram um aumento da incidência do ST quando comparados com os stents eluidores de everolimus.

Comentário editorial
O seguinte trabalho representa a maior metanálise comparando diferentes tipos de stents já realizada, assim como sua segurança e eficácia. Uma vez mais fica demonstrada a eficiência dos novos dispositivos (fundamentalmente os eluidores de everolimus).

Uma das vantagens desta metodologia de análise (Network meta-analysis) é a possibilidade de comparar vários dispositivos de maneira simultânea e avaliar os desfechos comuns como a trombose de stent. Esta é uma das primeiras metanálises que inclui plataformas reabsorvíveis e, apesar das vantagens teóricas das mesmas, na comparação feita elas não conseguiram superar os DES.

Outra das questões a levar em consideração é o tempo de seguimento. Na metanálise, o ponto de corte é de um ano. Considerando o fato de que hoje em dia um dos principais objetivos das novas plataformas é prevenir a trombose muito tardia do stent, serão necessários trabalhos com maior seguimento para avaliar este desfecho.

Gentileza do Dr. Guillermo Migliaro. Hospital Alemão, Buenos Aires, Argentina.

 

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