Devemos levar em consideração a isquemia crítica de MM II no TAVI

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

As doenças vasculares periféricas (DVP) compartilham os fatores de risco com a estenose aórtica. Uma consequência disso é que muitas vezes coexistem ambos os padecimentos.

Debemos tener en cuenta a la isquemia crítica de MM II en el TAVI

Ainda não está bem analisada qual é a frequência e o impacto das mencionadas doenças – em seus diferentes estágios – nos pacientes que recebem TAVI.


Leia também: A doença vascular periférica se associa a mais eventos no TAVI”.


Para o presente estudo foram analisados 32.044 pacientes que receberam TAVI entre 2007 e 2013. Dentre eles, 3.375 (10,5%) apresentaram DVP. Por sua vez, dentro deste grupo 2.721 (80,6%) exibiram claudicação intermitente (CI) e 654 (19,4%) apresentaram isquemia crítica (IC).

 

O grupo DVP apresentou mais comorbidades e um escore de risco maior.

 

O acesso foi transfemoral em 68,9% dos casos e transapical nos casos restantes (31,1%).


Leia também: Últimos estudos sobre Doenças Vasculares Periféricas”.


A mortalidade hospitalar nos pacientes que não apresentaram DVP, CI e IC foi de 6,1%, 8,4% e 14,7%, respectivamente (p < 0,001). Os índices de AVC, sangramento e insuficiência renal foram maiores nos que apresentavam DVP, especialmente no subgrupo IC. Na análise multivariada, a IC foi um preditor de mortalidade hospitalar (OR 1,96, 95; Intervalo de Confiança 1,56 – 2,47; p < 0,001).

 

O tempo de internação e a necessidade de assistência respiratória mecânica foi maior no grupo DVP com isquemia crítica.  

 

Conclusão

Nos pacientes que recebem TAVI, a presença de DVP está associada a um risco incrementado de complicações periprocedimento, enquanto que somente isquemia crítica é um preditor de morte intra-hospitalar.

 

Comentário

A DVP implica um maior comprometimento vascular e, consequentemente, sempre se relacionou com maior risco e pior evolução, especialmente no TAVI em pacientes de alto risco.

 

Esta análise foi realizada fundamentalmente com as válvulas de primeira geração, o que talvez se relacione com maiores complicações para este grupo. Com as válvulas de menor perfil e a maior experiência nos grupos, o mais provável é que as complicações tendam a diminuir.

 

No entanto, devemos ter sempre em mente que a DVP é um de nossos “piores inimigos”.

 

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

 

Título original: Prevalence and impact of critical limb ischaemia on in-hospital outcome in trascatheter aortic valve implantation.

Referência: Nasser M. Malyar, et al. EuroIntervention 2017,13:1282-1288.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

 

Mais artigos deste autor

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...

Stents eluidores de fármacos em doença arterial periférica: quando utilizá-los?

Os stents periféricos eluidores de fármacos transformaram o tratamento da doença arterial periférica ao reduzir as taxas de reestenose e a necessidade de novas...

T-TEER: para além dos limiares tradicionais de hipertensão pulmonar

A insuficiência tricúspide (IT) significativa se associa à deterioração funcional progressiva, a hospitalizações por insuficiência cardíaca (IC) e ao aumento da mortalidade. Nos últimos...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...