Angioplastia vs. cirurgia em isquemia de membros inferiores

Esta análise dos dados do estudo já publicado “Bypass Versus Angioplasty in Severe Ischemia of the Limb (BASIL-1)” confirmam a superioridade da cirurgia sobre a angioplastia com balão com ou sem stent em pacientes com isquemia crônica de membros inferiores que necessitam ser submetidos a intervenção em território femoropoplíteo.

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Embora as intervenções tenham sido realizadas entre 1999 e 2003 (motivo de queixa de muitos intervencionistas endovasculares), também é verdade que não há dados randomizados mais recentes que contradigam este velho trabalho. Assim, os resultados do BASIL 1 ficaram como um ponto de referência de comparação para os mais recentes BASIL 2, BASIL 3 e BEST-CLI.

O objetivo deste trabalho (que proximamente será publicado no “Eur J Vasc Endovasc Surg”) foi comparar em pacientes com isquemia crônica de membros inferiores causada por doença femoropoplítea (com ou sem doença infrapatelar associada) que foram submetidos a cirurgia (com veia ou enxerto sintético) ou angioplastia com ou sem stent.

Os eventos relatados foram o sucesso técnico imediato, o não acometimento de eventos maiores em membro afetado, reintervenções, sobrevida livre de amputação, sobrevida global e preservação do membro afetado.


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Em total, 128 pacientes foram submetidos à cirurgia (89 com veia nativa e 39 com enxerto sintético) e 183 receberam angioplastia com balão (6 precisaram de stent). O seguimento foi de 46,2 e 43,6 meses, respectivamente.

Não houve diferenças nas angiografias e no que se refere à dificuldade técnica entre os dois grupos.

O sucesso técnico imediato foi significativamente maior com a cirurgia (98% vs. 81%; p < 0,001), embora a estadia hospitalar tenha sido mais prolongada na internação índice. Após 12 meses dita diferença em dias de internação entre as duas estratégias se igualou.

A sobrevida livre de eventos maiores no membro inferior tratado (HR 1,51; p = 0,04) e a não ocorrência de reintervenções (HR 1,68; p = 0,02) foram melhores com a cirurgia, o que não ocorreu em relação à não ocorrência de amputação, à sobrevida global nem à preservação do membro.

Conclusão

Apesar de a sobrevida livre de amputação, a sobrevida global e a preservação do membro terem sido similares nos dois grupos, a cirurgia se associou a menos eventos maiores no membro inferior tratado e menos reintervenções. Embora a angioplastia possa demandar menos recursos e implicar menores custos (na maioria das regiões) e apresentar menos morbidades a curto prazo, não parece ser a melhor opção a longo prazo. Os dados deste trabalho respaldam a ideia do BASIL original, sempre que for possível pensar na cirurgia como a estratégia inicial de revascularização em pacientes com isquemia crônica e doença femoropoplítea.

Título original: A Comparison of Clinical Outcomes Following Femoropopliteal Bypass or Plain Balloon Angioplasty with Selective Bare Metal Stenting in the Bypass Versus Angioplasty in Severe Ischaemia of the Limb (BASIL) Trial.

Referência: Lewis Meecham et al. Eur J Vasc Endovasc Surg. Article in press.


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