A angina microvascular poderia ter gradientes de risco

Este trabalho recentemente publicado no JACC abre o caminho para identificar os pacientes de maior risco entre aqueles que não têm doença coronariana específica, mas apresentam sintomas anginosos. 

La angina microvascular podría tener gradientes de riesgo

A evidência de vasoespasmo e de um incremento da resistência da microcirculação em pacientes com angina (mas sem doença obstrutiva epicárdica) se associa a um incremento do risco de aparecimento de eventos cardíacos adversos. 

Após quase dois anos de seguimento, os pacientes com espasmos e um índice de resistência da microcirculação elevado (IMR) tiveram 6 vezes mais chances de eventos que aqueles sem espasmo e com um IMR normal apesar de todos apresentarem os mesmos sintomas (HR 6,23; IC 95%: 1,21 a 118,48).

A cardiologia sempre pôs o foco na doença coronariana obstrutiva, onde temos muitas ferramentas que demonstraram uma enorme eficácia, inclusive em pontos tão duros como a mortalidade. Podemos mencionar, em tal sentido, os stents, a cirurgia de bypass, as estatinas, os antiplaquetários, etc. O problema é quando nos deparamos com um paciente sem doença epicárdica. Em tais casos, não temos muitas ferramentas e nem sequer muita informação. 


Leia também: AHA 2019 | ISCHEMIA: La estrategia invasiva resulta similar al tratamiento médico.


A doença obstrutiva acomete predominantemente os homens; ao contrário, a doença microvascular afeta predominantemente as mulheres. 

A doença microvascular foi tipicamente definida por um IMR > 25, mas este trabalho nos mostra que um ponto de corte de 18 já identifica os pacientes que vão apresentar uma pior evolução. 

A medição do IMR não está disponível na prática clínica diária de muitos centros e, além disso, seu valor “normal” está ainda em discussão. Porém, o que tem que ficar claro para nós como conclusão deste trabalho é que aproximadamente três quartos dos pacientes com angina e coronárias epicárdicas sem lesões têm disfunção vasomotora. 

Quando nós, como intervencionistas, realizamos uma coronariografia que não mostra lesões, tendemos a pensar que houve um erro nos estudos prévios ou que o paciente tem um problema psiquiátrico. Agora, aos poucos, vamos nos apercebendo de que há toda uma síndrome clínica que transcende as lesões obstrutivas. 

Título original: Coronary functional abnormalities in patients with angina and nonobstructive coronary artery disease.

Referência: Suda A et al. J Am Coll Cardiol. 2019;74:2350-2360.


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