ACC 2020 Virtual | Placas “perigosas” por tomografia são, efetivamente, preditoras de infartos

Esta análise post hoc do SCOT-HEART mostra que as placas hipoatenuantes podem predizer eventos. Maior quantidade deste tipo de placas parece ser sinônimo de maior risco, sendo elas melhores preditoras dos escores clínicos, do cálcio coronariano e do grau de estenose. 

O IVUS, a tomografia e a ecografia das carótidas são ferramentas aceitas para revelar a quantidade de placas e predizer futuros eventos. O escore de cálcio provavelmente seja o paradigma para as coronárias e isso se baseia em um raciocínio lógico: quanto mais placas maior a chance de que alguma se rompa e acarrete um evento. 

Porém, existe a possibilidade de que durante todo este tempo tenhamos estados buscando o tipo incorreto de placas. De fato, as placas calcificadas que são avaliadas no escores de cálcio são as menos propensas a se tornarem instáveis. Não só importa o número de placas existentes mas também como elas estão compostas. 

A composição foi justamente o objetivo da análise, medindo diretamente a quantidade de placas hipoatenuantes, que são consideradas as mais perigosas, aquelas com um grande core lipídico necrótico. 


Leia também: ACC 2020 Virtual | COAPT: melhor qualidade de vida que se traduz em melhora em pontos mais duros.


Este trabalho foi originalmente aceito para ser apresentado nas sessões científicas da ACC 2020 em conjunto com o Congresso Mundial de Cardiologia, mas o coronavírus disse não à apresentação. Contudo, a informação nos chegou, já que foi publicada na revista Circulation

O SCOT-HEART foi um estudo randomizado que mostrou 41% de redução em eventos como morte ou infarto em 5 anos quando se utiliza a angiotomografia coronariana em vez do tratamento padrão (basicamente testes de estresse) para o cuidado dos pacientes que se apresentam com dor torácica. 

Para a presente análise os autores avaliaram as imagens sem contrastes da sequência da tomografia basal dos pacientes do SCOT-HEART. 


Leia também: ACC Virtual 2020 | Diferentemente do que ocorre com o TAVI, o volume de cirurgias mitrais não melhora a reparação por cateter.


Observadores especialistas calcularam o escores de cálcio bem como a doença obstrutiva definida como uma estenose de ao menos um vaso epicárdico com uma estenose de 50% para o tronco e de 70% para o resto. 

Nos 1769 pacientes seguidos por uma média de 4,7 anos, foram observados 41 infartos fatais e não fatais. Ao analisar toda a população, as placas hipoatenuantes se correlacionaram bastante bem com o escore de cálcio, bastante mal com os escores de risco cardiovascular e muito bem com a severidade das estenoses. Contudo, na hora de predizer um infarto, as placas hipoatenuantes foram o fator mais preciso. 

Os pacientes com hipoatenuação de 4% ou mais do total de suas placas têm um risco 5 vezes maior de padecer um infarto fatal ou não fatal. 


Leia também: ACC 2020 Virtual | As estatinas também poderiam proteger a cardiotoxicidade da quimioterapia.


Futuros trabalhos como o PROMISE e o CT CONFIRM validarão esta informação do mesmo modo que o recente ISCHEMIA, no qual toda a população tinha uma tomografia basal. 

 

placas-blandas-por-tac

 

Título original: Low-attenuation noncalcified plaque on coronary computed tomography angiography predicts myocardial infarction: results from the multicenter SCOT-HEART trial.

Referência: Williams MC et al. Circulation. 2020; Epub ahead of print.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

CRT 2026 | CUT-DRESS Trial: preparação da lesão com cutting balloon

A reestenose intra-stent (RIS) continua representando um desafio clínico relevante na prática contemporânea da angioplastia coronariana. Apesar dos avanços nos stents farmacológicos, a hiperplasia...

CRT 2026 | Clopidogrel vs. aspirina como monoterapia a longo prazo após uma angioplastia coronariana

O uso de aspirina como terapia antiplaquetária crônica após uma angioplastia coronariana (PCI) foi historicamente o padrão recomendado pelas diretrizes internacionais. No entanto, estudos...

Dispositivos bioabsorvíveis vs DES em pacientes com alto risco de reestenose. Seguimento de 7 anos do estudo COMPARE-ABSORB

Estudos com stents farmacológicos (DES) de segunda geração demonstraram que a taxa de falha da lesão-alvo (TLF) aumenta de forma linear até 5 ou...

Impella sem introdutor femoral: uma nova estratégia para reduzir complicações vasculares na PCI de alto risco?

Os pacientes com doença coronariana complexa ou choque cardiogênico submetidos a angioplastia coronariana percutânea (PCI) podem se beneficiar do suporte hemodinâmico proporcionado por dispositivos...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Aspiração mecânica percutânea versus tratamento cirúrgico da endocardite da valva tricúspide: revisão sistemática e metanálise

A endocardite infecciosa da valva tricúspide (TVIE) representa entre 5% e 10% de todos os casos de endocardite infeciosa. O tratamento cirúrgico constitui o...

COMPLICAT 2026: aprendizagem colaborativa para enfrentar complicações nas cardiopatias congênitas e estruturais

Curso online gratuito em espanhol5 webinars em 2026 O COMPLICAT 2026 chega à sua segunda edição, consolidando-se como um espaço acadêmico inovador dedicado à análise...

CRT 2026 | NAVITOR IDE: resultados hemodinâmicos e durabilidade em seguimento de 5 anos de uma válvula aórtica transcateter intra-anular autoexpansível

À medida que o TAVI se expande a uma população mais jovem e de menor risco cirúrgico, a durabilidade das próteses passa a ser...