ACC Virtual 2020 | Diferentemente do que ocorre com o TAVI, o volume de cirurgias mitrais não melhora a reparação por cateter

Proximamente publicaremos em nossa web um interessante trabalho que mostrou que os centros com maior volume de cirurgias de implante valvar aórtico convencional tinham melhores resultados com o implante percutâneo da valva aórtica. 

ACC Virtual 2020 | A diferencia del TAVI, el volumen de cirugías mitrales no mejora la reparación por catéter

Este trabalho estava agendado para ser apresentado durante a sessões científicas do congresso da ACC 2020 em conjunto com o Congresso Mundial de Cardiologia. No entanto, o evento foi cancelado devido à pandemia de coronavírus. 

É muito interessante o fato de as intervenções cirúrgicas convencionais não terem conseguido reproduzir os resultados que vimos com o TAVI. O volume de cirurgias sobre a valva mitral de um centro não tem impacto nos resultados desse mesmo centro na reparação por cateter. Um dado não menos importante para quem pretender começar um programa de reparação percutânea da valva mitral. 

Os centros de alto volume de cirurgias mitrais têm, como era esperável, menor mortalidade cirúrgica se comparados com os centros que têm um volume médio ou baixo. 


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Além disso, não há impacto em termos de mortalidade intra-hospitalar ou em 6 meses dos pacientes que receberam reparação percutânea nos mesmos centros. 

A ausência desta relação (volume de cirurgias/resultados de reparação percutânea) é muito importante já que hoje é exigido aos hospitais (pelo menos no sistema de saúde dos Estados Unidos) ao menos 25 cirurgias sobre a valva mitral para começar um programa de reparação percutânea, ao passo que as sociedades cirúrgicas e intervencionistas reivindicavam um volume ainda maior. 

Por que a diferença com o TAVI? A resposta poder ser que os que realizam as cirurgias mitrais não são os mesmos que realizam a reparação por cateter, ao passo que no TAVI as equipes se sobrepõem. 


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Neste trabalho os centros foram divididos em baixo volume cirúrgico (1 a 24 cirurgias), volume intermediário (25 a 39) e alto volume (mais de 40). O volume de reparação percutânea foi considerado baixo (1 a 18), médio (19 a 51) ou alto (mais de 52).

O menor volume de cirurgias se relacionou com mais de 50% extra de mortalidade hospitalar nos centros de baixo volume (OR 1,57; IC 95%, 1,28-1,94) e mais de 30% extra nos centros de volume intermediário (OR 1,31; IC 95%, 1,03-1,67) em comparação com os centros de alto volume. O volume não afetou a mortalidade em 6 meses para aqueles pacientes que receberam alta. 

Nem o volume de procedimentos cirúrgicos sobre a valva mitral nem o volume de procedimentos percutâneos sobre a mesma valva mitral se relacionam com algum dos eventos testados. Esta última conclusão do trabalho vai de encontro a tudo o que foi publicado em relação a outros procedimentos invasivos e vai de encontro inclusive à própria lógica. 


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Uma explicação teórica poderia se basear no fato de a experiência dos operadores que realizam reparação mitral percutânea ter impacto em pontos técnicos (insuficiência residual, gradiente residual, etc.) mas ser mais difícil provar algo tão duro como a mortalidade. 

Titulo original: Association between institutional mitral valve procedure volume and mitral valve repair outcomes in Medicare patients. 

Referência: Barker CM et al. J Am Coll Cardiol. 2020; Epub ahead of print.


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