EuroPCR 2020 | Diferir com iFR vs. FFR: são equivalentes ou há um novo “gold standard”?

A idade poderia ter impacto nos resultados na hora de decidir uma angioplastia baseada no fluxo fracionado de reserva (FFR) vs. baseada no índice instantâneo no período livre de ondas (iFR).

Em dois anos de seguimento, dois pacientes cujas lesões intermediárias foram diferidas com base na evolução funcional mostraram resultados similares sem importar o fato de ter sido usado FFR ou iFR como parâmetro. No entanto, observou-se que os resultados do iFR se mantiveram constantes ao passo que os do FFR mostraram variações de acordo com a idade.

Estes resultados surgiram da avaliação de dois grandes e icônicos trabalhos randomizados sobre o tema: o DEFINE-FLAIR e o iFR-SWEDEHEART. 

Uma revisão prévia dos dois trabalhos tinha mostrado a não inferioridade do iFR vs. o FFR em termos do desfecho combinado clássico (morte, infarto, revascularização não planejada) embora tenham sido revascularizados menos pacientes com a utilização do iFR. 

A maior divergência entre os dois métodos foi observada nos pacientes mais jovens e a diferença responderia à capacidade vasodilatadora da adenosina. 


Leia também: EuroPCR 2020 | Revascularização vs. tratamento médico inicial em pacientes crônicos.


Enquanto o fluxo basal é similar, a resposta à adenosina vai diminuindo com a idade. Isso implica um fluxo muito maior nos jovens quando em hiperemia. 

O risco de eventos nos dois anos de seguimento subsequentes à randomização foi equivalente entre o iFR e o FFR quando os 4486 pacientes foram analisados em conjunto (10,45% vs. 9,71%; HR 1,09; IC 95% 0,91-1,32) e também quando foram comparados especificamente os diferidos (7,43% vs. 7.40%; HR 1,01; IC 95% 0,74-1,38).

Na comparação dos pacientes com menos de 60 anos observa-se que com FFR foram diferidos 42% e com iFR 54% (p < 0,01), com uma diferença absoluta de 12% na taxa de revascularização. 


Leia também: EuroPCR 2020 | Estamos ante o renascimento da denervação renal?


As porcentagens foram muito similares (46% vs. 48%) nos pacientes de mais de 60 anos. 

Esta informação não necessariamente indica que o iFR é melhor nos pacientes jovens mas simplesmente que é um pouco mais conservador em comparação com o FFR. 

Título original: Two-year outcomes of patients with revascularization deferral based on FFR or iFR measurements: a pooled, patient level analysis of DEFINE FLAIR and iFR SWEDEHEART trials.

Referência: Escaned J. Presentado en forma virtual en el PCR virtual 2020.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

ACC 2026 | DKCRUSH VIII: IVUS ou angiografia para guiar a PCI em bifurcações coronarianas complexas

Guiar os procedimentos através de imagens intracoronarianas consolidou-se como uma estratégia recomendada em lesões coronarianas complexas. No cenário específico das bifurcações complexas, ainda persistia...

ACC 2026 | OPTIMAL: IVUS como guia na PCI do tronco da coronária esquerda não protegido

A angioplastia coronariana (PCI) é considerada uma alternativa equivalente à cirurgia de revascularização em pacientes com estenose do tronco da coronária esquerda (TCE) e...

ACC 2026 | Estudo IVUS-CHIP: angioplastia complexa guiada por ultrassom intravascular versus angiografia

A otimização da angioplastia coronariana (ATC) em lesões complexas continua sendo um desafio clínico relevante. Em tal contexto, o estudo IVUS-CHIP foi desenhado para...

ACC 2026 | Estudo PRO-TAVI: Diferir a angioplastia coronariana em pacientes submetidos a TAVI

A doença coronariana é frequente em pacientes com estenose aórtica severa candidatos a TAVI. As atuais diretrizes recomendam considerar a revascularização em lesões coronarianas...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Estratégias terapêuticas diante do achado de um trombo carotídeo: evidência e controvérsias

O trombo carotídeo flutuante (cFFT) é uma entidade pouco frequente e de alto risco embólico, associada a eventos neurológicos agudos como o AVC ou...

As duas caras da mesma moeda: o que nos ensinam os ensaios CHAMPION-AF e CLOSURE-AF sobre a oclusão do apêndice atrial esquerdo?

Carta de leitor: Juan Manuel Pérez Asorey A oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo (LAAO) passa hoje por um dos momentos mais interessantes de sua...

CLOSURE-AF: oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo versus tratamento médico em fibrilação atrial

A oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo é proposta como uma alternativa à anticoagulação em pacientes com fibrilação atrial e alto risco hemorrágico, embora...