O ponto crucial que não observamos na doença vascular periférica

Orientar os pacientes com doença vascular periférica a realizar exercício supervisado é fundamental para mudar o seu prognóstico. Isso deveria ser uma mudança cultural e não somente ocorrer no âmbito da recomendação individual. 

ejercicio y enfermedad vascular periférica

A atividade física como estilo de vida reduz o risco cardiovascular e diminui a incapacidade física em pacientes com doença vascular periférica. 

A novidade deste trabalho (que nos próximos dias será publicado no Eur. J Vasc Endovasc Surg) é a comparação que ele contém entre os padrões de atividade física em pacientes com doença vascular periférica sintomática em dois países: um submetido a uma epidemia de sedentarismo e obesidade (Estados Unidos) e o outro nas antípodas, isto é, promotor ativo da atividade física como uma política de saúde pública (Holanda). 

Os pacientes se referiram à atividade física de modo binário (sedentarismo vs. atividade física) com um seguimento de 3, 6 e 12 meses. 

Todos foram anotados no registro PORTRAIT, que incluiu pacientes com nova claudicação intermitente ou com uma piora de dito sintoma. 

O estudo englobou 1098 pacientes em total: 743 foram recrutados nos Estados Unidos (67,7%) e 355 na Holanda (32,3%).


Leia também: Qual é a dieta mais saudável?


Os pacientes americanos eram mais idosos (idade média: 68,6 anos vs. 65,3 anos; p < 0,001), mais obesos (41,3% vs. 20,5%; p < 0,001) mas menos tabagistas (30,1% vs. 52,8%; p < 0,001) e houve uma maior porcentagem de mulheres (41,3% vs. 31,4%; p = 0,002).

A diferença mais óbvia entre os dois países foi o fato de os pacientes relatarem a realização de exercício supervisado (1,6% nos Estados Unidos vs. 63,9% na Holanda; p < 0,001). Os estadunidenses não só foram, de forma basal, mais sedentários, mas também receberam menos indicação formal de realizar exercício de maneira supervisada (apenas uma mínima porcentagem foi orientado a realizar atividade física). 

Conclusão 

Recomendar exercício supervisado é crucial para melhorar o prognóstico dos nossos pacientes com doença vascular periférica sintomática. O conselho “você tem que caminhar mais” não é suficiente e a mudança deveria ser cultural. 

Título original: Physical Activity in Patients with Symptomatic Peripheral Artery Disease: Insights from the PORTRAIT Registry.

Referência: Poghni A. Peri-Okonny et al. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2020 Jul 21;S1078-5884(20)30528-1. https://doi.org/10.1016/j.ejvs.2020.06.010.


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