Modelos europeos de telemedicina, como el servicio finlandés Medilux, permiten realizar consultas médicas online mediante un cuestionario clínico, sin acudir a una consulta presencial.

Existe a possibilidade de omitir a colocação de stent no SCACEST?

O tratamento recomendado para a síndrome coronariana aguda com elevação do segmento ST (SCACEST) é a angioplastia primária precoce, habitualmente com implante de stent. No entanto, a colocação de um stent representa um risco de complicações intravasculares, como a trombose do stent ou a reestenose do mesmo. 

En el SCACEST ¿existe la posibilidad de omitir la colocación de stent?

Existem casos em que é possível recuperar o fluxo estável do vaso culpado sem a necessidade de um stent, observando-se – uma vez resolvida a trombose luminal – estenoses residuais não significativas em termos angiográficos. 

Por sua vez, a revascularização de placas ateroscleróticas sem estenoses significativas mas com uma composição “vulnerável”, principalmente formadas por cores com abundante lipídio (aterosclerose de alto risco), tem sido motivo de estudo. Já se sabe que, em tais casos, a revascularização com stents não ajudou a reduzir os eventos relacionados com o vaso culpado em comparação com o tratamento médico ótimo (PROSPECT ABSORB 2020). 

O DANAMI 3 DEFER é um subestudo do DANAMI-3 que incluiu 1215 pacientes randomizados a tratamento convencional vs. stent diferido em SCACEST sem mostrar benefício na estratégia diferida, tendo ficado uma parte da população sem colocação do stent no controle angiográfico diferido.

Este estudo, recentemente publicado no Eurointervention, é uma análise post hoc do DANAMI-3-DEFER, na qual se formula a segurança da estratégia no stenting no SCACEST mediante a avaliação de desfechos clínicos. 

Leia também: Alta no mesmo dia pós-TAVI: estamos em condições de utilizá-la?

Foram incluídos pacientes tratados com trombectomia/angioplastia com balão (POBA) e posterior uso de IIB/IIIA na intervenção índice, que foram reestudados às 24/48h e se apresentavam uma estenose angiográfica estável de ≤ 30%, ausência de trombos ou dissecção, eram incluídos no grupo no stenting

O desfecho primário foi uma combinação de mortalidade por todas as causas, IAM recorrente e revascularização do vaso culpado (TVR) em um seguimento médio de 3,4 anos. 

Esta análise post hoc incluiu 674 pacientes, com características basais distintas entre no stenting e a estratégia de stent imediato, observando-se menor porcentagem de diabéticos e dislipidêmicos, sendo em geral o vaso culpado um ramo de alguma artéria epicárdica principal e menor a quantidade de doença multivaso. 

Leia também: IVUS na ATP fêmoro-poplítea: deveríamos começar a utilizá-lo?

Dos pacientes analisados, 84 foram selecionados para no stenting (71% POBA, 7% trombectomia e 21% sem intervenção). Não foram observadas diferenças significativas no desenlace primário composto no grupo no stenting, tendo sido de 14% em comparação com 16% de stent imediato (HR 0,87, IC 95% 0,48-1,60, p = 0,66), sem diferenças em termos de TVR (HR 0,59, IC 95% 0,14-2,52, p = 0,48) nem de IAM recorrente. 

Conclusões

Nesta análise post hoc do DANAMI-3-DEFER, os pacientes nos quais não se implantou stent tiveram um muito baixo número de eventos e não apresentaram diferenças significativas no seguimento. É muito importante levar em conta as diferenças basais dos dois grupos. Os resultados desta análise, geradores de hipótese, falam de uma potencial segurança ao evitar o implante de stent após o diagnóstico de SCACEST em uma população muito selecionada (com comprometimento de ramos, menos diabéticos e menor quantidade de doença multivaso) com estenose residual mínima e fluxo conservado, evitando, nestes pacientes, as complicações do stent como a trombose e a reestenose. 

Dita segurança clínica deverá ser validada em futuros estudos randomizados que avaliem estratégias alternativas ao stent em SCACEST com estenose não significativa. 

Dr. Omar Tupayachi

Dr. Omar Tupayachi.
Membro do conselho editorial da SOLACI.org

Título Original: Madsen, Jasmine Melissa et al. “Clinical outcomes of no stenting in patients with ST-segment elevation myocardial infarction undergoing deferred primary percutaneous coronary intervention.” EuroIntervention: journal of EuroPCR in collaboration with the Working Group on Interventional Cardiology of the European Society of Cardiology, EIJ-D-21-00950. 16 Mar. 2022.

Referência: EuroIntervention. 2022 Mar 16;EIJ-D-21-00950. doi: 10.4244/EIJ-D-21-00950. 


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

EuroPCR 2026 | É seguro suspender a aspirina a um mês em pacientes com infarto tratados com PCI? Análise do TARGET-FIRST

Este é um resumo da análise pós-hoc do estudo TARGET-FIRST, apresentado pelo Dr. Giuseppe Tarantini no EuroPCR 2026 sobre a interrupção precoce da aspirina...

EuroPCR 2026 | Evolocumabe reduz eventos cardiovasculares em pacientes com PCI prévia sem infarto: resultados do VESALIUS-CV

Esta apresentação, realizada pelo Dr. Brian A Bergmark e colaboradores no EuroPCR 2026, detalha os resultas do ensaio VERSALIUS-CV, centrando-se especificamente no subgrupo de...

EuroPCR 2026 | Angioplastia de TCE em 10 anos: quando não há diferença em sobrevida, manda a estratégia menos invasiva?

A indicação de revascularização na doença do tronco da coronária esquerda (TCE) tem como objetivo principal melhorar a sobrevivência. No entanto, continua vigente o...

EuroPCR 2026 | TAVI e doença coronariana: a PCI guiada por FFR mostrou melhores resultados do que a estratégia angiográfica

Nos pacientes candidatos a TAVI, a presença concomitante de doença coronariana continua sendo motivo de debate: intervir nas lesões antes, durante ou depois do...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

EuroPCR 2026 | TAVI em mulheres: as válvulas supra-anulares oferecem uma vantagem hemodinâmica real?

As mulheres representam uma população particularmente desafiadora para o TAVI, já que costumam apresentar anéis aórticos menores, maior fragilidade e um risco incrementado de...

EuroPCR 2026 | TAVI ou cirurgia em pacientes jovens? Qualidade de vida e resultados de 3 anos do NOTION-2

A expansão do TAVI a pacientes mais jovens e com menor risco cirúrgico abriu uma nova discussão: para além da mortalidade ou do AVC,...

EuroPCR 2026 | É seguro suspender a aspirina a um mês em pacientes com infarto tratados com PCI? Análise do TARGET-FIRST

Este é um resumo da análise pós-hoc do estudo TARGET-FIRST, apresentado pelo Dr. Giuseppe Tarantini no EuroPCR 2026 sobre a interrupção precoce da aspirina...