Há diferenças entre mulheres e homens após uma intervenção percutânea?

Estudos prévios demonstraram que as mulheres com doença coronariana submetidas a revascularização percutânea têm mais prevalência de comorbidades, tratamentos menos agressivos, maior taxa de morbidade a longo prazo e pior estado funcional e/ou angina pós-procedimento. 

No estudo utilizou-se informação do CPORT-E trial (Cardiovascular Patient Outcomes Research Team Non primary Percutaneous Coronary Intervention) para avaliar as diferenças basais entre os dois sexos 6 semanas e 9 meses após o procedimento. 

O Desfecho Primário (DP) foi mortalidade total 6 semanas após o procedimento e o Desfecho Secundário (DS) foi uma combinação de mortalidade por todas as causas, IAM tipo Q, revascularização do vaso culpado 9 meses após o procedimento. 

Foram avaliados 18.867 pacientes, dentre os quais 6.851 eram mulheres (36%). Elas eram mais idosas, mais frequentemente de origem afro-americana, e com maior taxa de HTA, diabetes, insuficiência cardíaca, AVC prévio ou doença vascular periférica. Contrariamente, as mulheres apresentavam menor taxa de ATC ou CRM prévia, IAM prévio e tabagismo.  

Nas coronariografias, as mulheres apresentaram mais doença de um vaso e menos frequentemente foram submetidas a ATC em múltiplos vasos. 

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Embora não tenha havido diferenças no que se refere a DP e ao DS, observou-se nas mulheres uma maior taxa de sangramento, reparação vascular e repetição do cateterismo diagnóstico. 

Foram observadas também diferenças significativas no estado de saúde (medido mediante um questionário SAQ), tendo sido pior após 6 semanas e também após 9 meses devido a uma maior frequência de angina, pior qualidade de vida e limitação física. 

Conclusão

O sexo feminino foi um preditor de pior estado de saúde 6 semanas e também 9 meses após a ATC. 

Dr. Andrés Rodríguez.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org

Título Original: Sex Differences in Health Status and Clinical Outcomes After Nonprimary Percutaneous Coronary Intervention.

Referência: Pranoti G. Hiremath et al. Circ Cardiovasc Interv. 2022;15:e011308.


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