Degeneração das biopróteses cirúrgicas: será o Valve in Valve uma boa opção?

A utilização das biopróteses cirúrgicas aumentou de forma muito significativa e embora sua durabilidade seja de 15 anos ou mais, quando apresenta alguma falha (geralmente por estenose), gera um grande desafio no momento de tomar decisões.

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O TAVI surgiu como uma grande alternativa a esse problema, apesar de ainda não termos muita informação sobre o tema. Na atualidade, dispomos unicamente da evidência de dois estudos retrospectivos nos quais se fez um propensity score match e de outros estudos menores.

Foi feita uma metanálise incluindo estudos de pacientes de alto risco e risco intermediário. Em total foram englobados 8570 pacientes; dentre eles, 4224 foram tratados com V-in-V e 4346 com cirurgia de substituição valvar aórtica (reSAVR).

O desfecho primário foi definido como mortalidade por qualquer causa em 30 dias e no seguimento. 

A idade média foi de 76 anos para V-in-V e de 71 anos para reSAVR. 60% dos pacientes eram homens. 

Os pacientes tratados com V-in-V apresentaram maior prevalência de doença coronariana, CRM, história de insuficiência cardíaca, insuficiência renal e DPOC. 

Leia também: A oclusão do apêndice atrial esquerdo é segura com os novos dispositivos.

A válvula utilizada no V-in-V foi o balão expansível em 49,6% dos casos e autoexpansível em 45,8%.

O desfecho primário foi significativamente menor no grupo tratado com V-in-V (OR 0,43, 0,29–0,64 e OR 0,44, 0,26–0,73, respectivamente). Isso ocorreu nos grupos de alto risco e baixo risco em 30 dias, mas não houve diferença em termos de mortalidade por qualquer causa ou mortalidade cardiovascular no seguimento. 

Dentro dos 30 dias não houve diferença em termos de AVC, necessidade de marca-passo ou complicações vasculares, mas o sangramento maior, o aparecimento de nova fibrilação atrial e as re-hospitalizações foram maiores no grupo tratado com reSAVR. 

Leia também: Monoterapia com Ticagrelor: estratégia válida após os 12 meses?

No grupo V-in-V, no seguimento de 30 dias não houve diferença entre os pacientes de alto risco ou risco intermediário no que se refere a AVC, infarto e sangramento maior. 

No seguimento de médio prazo não houve diferença em termos de mortalidade por qualquer causa e mortalidade cardiovascular entre as duas estratégias. 

Conclusão

Em pacientes de alto risco ou risco intermediário com degeneração das biopróteses cirúrgicas, o V-in-V se associou a uma redução da mortalidade a curto prazo em comparação com a reSAVR. Não foram observadas, no entanto, diferenças em termos de mortalidade por qualquer causa nem mortalidade cardiovascular no seguimento de médio prazo. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Valve‐in‐valve transcatheter aortic valve replacement or re‐surgical aortic valve replacement in degenerated bioprostheses: A systematic review and meta‐analysis of short and midterm results

Referência: Francesco Bruno, et al. Catheter Cardiovasc Interv. 2022;100:122–130.


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