Devemos começar a utilizar stents ultrafinos?

São bem conhecidos os benefícios dos DES e a evolução desencadeada com os polímeros (e inclusive, em alguns casos, sem polímeros). No entanto, o tamanho das hastes é importante e pode fazer a diferença, já que um menor tamanho se relaciona com melhor navegabilidade, perfil de cruzamento mais simples nas bifurcações, melhor endotelização e cicatrização. Além disso, reduz a injúria arterial, a inflamação, a proliferação miointimal e a trombogenicidade. 

struts ultrafinos

Embora o anteriormente afirmado seja um conhecimento bastante estabelecido em relação aos DES, seus benefícios a longo prazo ainda não foram bem analisados. 

O estudo BIOFLOW V randomizou 1334 pacientes. Dentre eles, 884 (66,2%) foram tratados com stents ultrafinos ORSIRO eluidor de sirolimus com polímero bioabsorvível (BP SES) e 450 com stent XIENCE eluidor de everolimus com polímero durável (DP EES). 

O desfecho primário foi TLF definida como a combinação de morte cardíaca, infarto do vaso relacionado (TV MI) ou TLR guiada por isquemia.

Os grupos foram similares. Tampouco houve diferenças em termos de comprimento da lesão, diâmetro dos vasos ou características das lesões. 

O DP do seguimento de 5 anos foi similar na comparação entre os dois grupos (12,3% BP SES e 15,3% para DP EES; p = 0,108).

Leia também: Lesões calcificadas: OCT de estratégias para a preparação de placa.

Os pacientes tratados com BP SES apresentaram menos TV MI (6,6% vs. 10,3%; p = 0,015) e menos TLR dirigida por isquemia, embora sem alcançar a significância estatística (5,9% vs. 7,7%); p = 0,2). A incidência de morte foi de 2,6% vs. 1,9% (p = 0,49).

A presença de trombose tardia/muito tardia/definitiva e provável foi de 0,3% no grupo BP SES e de 1,6% no de DP ESS (p = 0,02).

Conclusão

Neste grande estudo randomizado a TLF, a morte e a TLR em 5 anos foram similares entre os pacientes tratados com BP SES vs. DP EES. O infarto do vaso relacionado e a trombose tardia/muito tardia/definitiva e provável foi significativamente menor com BP SES. Os resultados aqui apresentados confirmam a durabilidade da segurança e efetividade da ATC com stents ultrafinos com polímero biodegradável eluidor de sirolimus. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Ultrathin Bioresorbable Polymer Sirolimus-Eluting Stents Versus Durable Polymer Everolimus-Eluting Stents BIOFLOW V Final 5-Year Outcomes

Referência: David E. Kandzari, et al. J Am Coll Cardiol Intv 2022;15:1852–1860.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

CRT 2026 | CUT-DRESS Trial: preparação da lesão com cutting balloon

A reestenose intra-stent (RIS) continua representando um desafio clínico relevante na prática contemporânea da angioplastia coronariana. Apesar dos avanços nos stents farmacológicos, a hiperplasia...

CRT 2026 | Clopidogrel vs. aspirina como monoterapia a longo prazo após uma angioplastia coronariana

O uso de aspirina como terapia antiplaquetária crônica após uma angioplastia coronariana (PCI) foi historicamente o padrão recomendado pelas diretrizes internacionais. No entanto, estudos...

Dispositivos bioabsorvíveis vs DES em pacientes com alto risco de reestenose. Seguimento de 7 anos do estudo COMPARE-ABSORB

Estudos com stents farmacológicos (DES) de segunda geração demonstraram que a taxa de falha da lesão-alvo (TLF) aumenta de forma linear até 5 ou...

Impella sem introdutor femoral: uma nova estratégia para reduzir complicações vasculares na PCI de alto risco?

Os pacientes com doença coronariana complexa ou choque cardiogênico submetidos a angioplastia coronariana percutânea (PCI) podem se beneficiar do suporte hemodinâmico proporcionado por dispositivos...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

CRT 2026 | NAVITOR IDE: resultados hemodinâmicos e durabilidade em seguimento de 5 anos de uma válvula aórtica transcateter intra-anular autoexpansível

À medida que o TAVI se expande a uma população mais jovem e de menor risco cirúrgico, a durabilidade das próteses passa a ser...

CRT 2026 | TAVI-CLOSE Trial: dupla sutura + plugue para oclusão vascular após TAVI transfemoral

O acesso transfemoral é a estratégia predominante para o implante percutâneo da valva aórtica (TAVI). Embora as complicações vasculares não sejam, na atualidade, tão...

CRT 2026 | CUT-DRESS Trial: preparação da lesão com cutting balloon

A reestenose intra-stent (RIS) continua representando um desafio clínico relevante na prática contemporânea da angioplastia coronariana. Apesar dos avanços nos stents farmacológicos, a hiperplasia...