Utilidade do gradiente trans-stent como preditor de resultados adversos no seguimento

O implante de um stent em uma lesão coronariana não deveria ocasionar a queda da pressão no segmento tratado quando se realiza avaliação fisiológica mediante fluxo fracionado de reserva (FFR). O incremento do gradiente trans-stent baseado em FFR implicaria um segmento do vaso subexpandido ou uma obstrução intrastent, como prolapso de placa ou trombo. 

Utilidad del gradiente trans-stent como predictor de resultados adversos en el seguimiento

A associação entre a fisiologia pós-stent e os resultados a longo prazo são um tema abordado em vários estudos e demonstrou-se que a prevalência de uma fisiologia subótima pós-intervenção em uma proporção de pacientes se deve a lesões focais ou segmentos relacionados com o stent, que isso é modificável, podendo-se melhorar o fluxo e com isso os resultados a longo prazo.  

O objetivo deste estudo prospectivo foi avaliar se o gradiente trans-stent (TSG) está associado a eventos adversos no seguimento de 2 anos após uma ATC.  

O desfecho primário (DP) foi a falha do vaso tratado (TVF), definida como revascularização do vaso tratado, IAM do vaso tratado e uma combinação de eventos cardiovasculares maiores (MACE, morte cardiovascular, IAM, revascularização do vaso tratado).

Foram incluídos 417 pacientes, com uma idade média de aproximadamente 65 anos. A maioria dos pacientes eram homens. O valor de FFR médio pré-ATC foi de 0,69 e o FFR pós-ATC foi de 0,85, com um incremento significativo (p < 0,0001).  Os pacientes foram divididos em 4 grupos: Grupo I (FFR ≤ 0,86 e TSG > 0,04), Grupo II (FFR ≤ 0,86 e TSG < 0,04), Grupo III (FFR > 0,86 e TSG > 0,04) e Grupo IV (FFR > 0,86 e TSG ≤ 0,04). 

Leia também: Segurança da aterectomia em território femoropoplíteo.

Ao analisar os dados segundo o TSG (< 0,4) observou-se um aumento da taxa de TVF (p = 0,014) e de MACE (p =0,02). Com relação ao FFR ≤ 0,86 observou-se associação com aumento de taxa de TVF (p = 0,03) e MACE (p = 0,036). O grupo I (alto TSG e baixo FFR) teve significativamente maior taxa de TVF e MACE (10,2% e 20,1%, respectivamente; p = 0,049) em comparação com o resto dos grupos. 

Na análise multivariada, o TSG foi um preditor independente de TVF. 

Conclusão 

O TSG pós-ATC é um preditor independente de eventos adversos e identifica um subgrupo de pacientes com alto risco de eventos no seguimento. Os pacientes com alto TSG e baixo FFR mostraram pior prognóstico a longo prazo. Esses achados são úteis para melhorar os resultados da ATC mediante a otimização após o implante do stent. 

Dr. Andrés Rodríguez

Dr. Andrés Rodríguez.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Trans-Stent FFR Gradient as a Modifiable Integrant in Predicting Long-Term Target Vessel Failure.

Referência: Barry F. Uretsky, MD et al J Am Coll Cardiol Intv 2022;15:2192–2202.


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