Litotripcia Intracoronariana: Resultados e Tendências no Tratamento de Lesões Coronarianas Calcificadas

A complexidade das intervenções percutâneas coronarianas tem se incrementado notavelmente nos últimos tempos. Dito incremento pode ser principalmente atribuído à crescente prevalência de calcificação coronariana, o que representa um desafio significativo para os intervencionistas. A presença de calcificação não tratada adequadamente pode resultar em uma expansão insuficiente do stent, sendo isso um fator de risco importante que contribui para a trombose e a reestenose do stent. 

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Foram empregados, historicamente, diversos dispositivos para abordar a calcificação, como os balões de alta pressão, balões não complacentes, cutting balloon ou scoring balloon, além da aterectomia. Tais métodos podem, no entanto, ter limitações na modificação eficaz do cálcio. Desde 2021, o sistema de litotripcia (IVL) surgiu como uma opção promissora, demonstrando taxas de segurança e eficácia superiores a 90%. 

O objetivo deste estudo foi avaliar as tendências e os resultados associados com a IVL entre pacientes submetidos a angioplastia coronariana (ATC) no Estado de Michigan, nos Estados Unidos, comparando ditos resultados com o uso de aterectomia. 

O desfecho primário foi a ocorrência de eventos cardíacos adversos maiores (MACE), definido como a combinação de mortalidade intra-hospitalar, acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio periprocedimento, perfuração coronariana ou tamponamento. Outra variável avaliada foi o sucesso do procedimento. 

Leia Também: Evolução do dano miocárdico com o MitraClip.

Foram incluídos 42.400 pacientes tratados com ATC entre 2021 e 2022, com uma idade média de 72 anos e predominância masculina. O uso de IVL foi de 2,57%, o de aterectomia foi de 4,10% e ambos os métodos foram empregados em 0,57% dos casos. Durante o período do estudo, o uso de IVL aumentou de 0,04% em 2021 a 4,28% em 2022, ao passo que o uso de aterectomia diminuiu de 4,41% a 3,63% no mesmo período. A artéria descendente anterior foi a mais frequentemente tratada, tanto com IVL quanto com aterectomia. 

No tocante aos resultados, não foram observadas diferenças significativas na taxa de MACE (4,3% vs. 5,4%; p = 0,23) nem na de sucesso do procedimento (89,4% vs. 89,1%; p = 0,88) entre pacientes tratados com IVL e com aterectomia. Somente 15,6% dos pacientes tratados com IVL na prática contemporânea foram similares à população incluída nos ensaios clínicos fundamentais de IVL. Entre eles (n = 163), as taxas de MACE (0,0%) e o sucesso do procedimento (94,7%) foram comparáveis aos resultados relatados nos ensaios fundamentais de IVL. 

Conclusão

Desde sua aprovação, o uso de IVL experimentou um aumento significativo e atualmente é o método mais utilizado para a modificação da calcificação coronariana. Tanto o IVL como a aterectomia se associaram a taxas similares e geralmente baixas de complicações, bem como a altas taxas de sucesso do procedimento. 

Dr. Andrés Rodríguez.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Contemporary Trends and Outcomes of Intravascular Lithotripsy in Percutaneous Coronary Intervention Insights From BMC2.

Referência: Devraj Sukul, MD, MSC et al J Am Coll Cardiol Intv 2024.


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