Dano miocárdico em MAC

A calcificação do anel mitral (MAC) afeta entre 8% e 23% da população, sendo mais frequente em mulheres e em pacientes com insuficiência renal. Tal fenômeno se caracteriza por um aumento da fibrose no anel valvar, que pode se estender e afetar as próprias valvas. 

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A presença de MAC se associa à insuficiência ou à estenose valvar, aumentando a mortalidade e as internações por insuficiência cardíaca. 

É importante entender esse mal e o dano miocárdico associado ao tomar decisões terapêuticas, especialmente em tratamentos percutâneos. 

Foi feita uma análise de 953 pacientes com MAC mediante eco-Doppler transtorácico em cores. A disfunção da valva mitral (MVD) foi definida como insuficiência mitral ≥ 2+ e/ou estenose mitral com área valvar mitral (MVA) < 2,0 m2 e/ou gradiente médio ≥ 4 mmHg.

Os pacientes foram classificados em cinco estágios conforme a presença de MAC e dano miocárdico: estágio 1 (E1): MAC com MVD sem dano miocárdico; estágio 2 (E2): MAC com MVD e remodelagem do ventrículo esquerdo; estágio 3 (E3): MAC com MVD e remodelagem do átrio esquerdo e/ou fibrilação atrial; estágio 4 (E4): MAC com MVD, hipertensão pulmonar e/ou insuficiência tricúspide ≥ moderada; estágio 5 (E5): MAC com MVD e disfunção do ventrículo direito. 

Leia Também: Revascularização completa inicial vs. revascularização por etapas em pacientes com IMACEST e doença de múltiplos vasos.

Os resultados mostraram que 1,5% dos pacientes estavam em E0 (n = 15), 1,4% em E1 (n = 13), 52,4% em E2 (n = 1499), 12,1% em E3 (n = 115) e 32,6% em E4 (n = 311).  

A idade média foi de 76 anos, sendo a população conformada em 54% por mulheres. Além disso, 77,5% tinha hipertensão, 69% dislipidemia e 40% doença coronariana. Comparados com os pacientes em estágios mais baixos, os que estavam em estágios avançados apresentaram maior prevalência de diabetes, fibrilação atrial e deterioração renal. 

A fração de ejeção do ventrículo esquerdo e o gradiente mitral foram significativamente menores nos estágios avançados. A sobrevida estimada em 4 anos foi de 84% (IC de 95%: 68%-100%) para E1 e E2, 53% (IC de 95%: 48%-59%) para E2, 30% (IC de 95%: 21%-43%) para E3 e 26% (IC de 95%: 20%-33%) para E4, sendo estatisticamente mais alta nos estágios 2, 3 e 4 em comparação com os estágios 1 e 2. As hospitalizações por insuficiência cardíaca foram de 19% (IC de 95%: 6%-40%) para E0 e E1, 39% (IC de 95%: 34%-44%) para E2, 55% (IC de 95%: 44%-65%) para E3 e 54% (IC de 95%: 47%-60%) para E4, sendo também estatisticamente mais alta nos estágios 2, 3 e 4 em comparação com os outros dois estágios. 

Leia Também: Como devemos fazer a revascularização nas síndromes coronarianas agudas?

No seguimento, 120 pacientes requereram intervenção na valva mitral, sendo 91 tratados com cirurgia e o restante com tratamento percutâneo. Os estágios avançados se associaram a uma pior evolução, independentemente do fato de a MVD ter sido motivada por insuficiência ou estenose. 

Os preditores de mortalidade foram a idade, a diabetes e a filtração glomerular < 60 ml/min, ao passo que os preditores de hospitalização por insuficiência cardíaca foram os estágios E3 e E4, a hipertensão e a filtração glomerular < 60 ml/min. 

Conclusão

O uso deste sistema de classificação de dano miocárdico em pacientes com calcificação do anel mitral e disfunção valvar demonstra que os estágios mais avançados se associam a uma maior mortalidade. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Staging Extramitral Cardiac Damage in Mitral Annular Calcification.

Referência: Abdullah Al-Abcha, et al. JACC Cardiovasc Interv 2024;17:1577–1590.


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