Mínima área óptima do stent e impacto da subexpansão do tronco da coronária esquerda com estratégia de dois stents

A estratégia de utilizar dois stents para as lesões de bifurcação do tronco da coronária esquerda (TCE) apresenta um desafio técnico e está associada a um maior risco de resultados clínicos desfavoráveis quando comparada com a estratégia de stent provisional. Foi demonstrado, no entanto, que a técnica DK-CRUSH reduz a incidência de eventos adversos em um seguimento de três anos. Embora o Clube Europeu de Bifurcações tenha defendido a técnica de stent provisional, 22% dos pacientes que a ela são submetidos acabam requerendo um segundo stent. 

Portanto, definir critérios para otimizar o uso dos stents na angioplastia coronariana transluminal percutânea (ATC) de bifurcação do TCE é essencial para melhorar os resultados clínicos. Para isso, é utilizado o ultrassom intravascular (IVUS), que permite uma adequada expansão do stent e melhores resultados clínicos. 

O objetivo deste estudo retrospectivo foi avaliar a área mínima ótima do stent no tratamento do tronco da coronária esquerda com a estratégia de dois stents, bem como chegar a conclusões mais claras sobre os seus resultados clínicos a longo prazo. 

O desfecho primário (DP) foi a ocorrência de eventos adversos cardíacos maiores em cinco anos, incluindo morte por todas as causas, infarto agudo do miocárdio (IAM) e revascularização da lesão tratada. 

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Foram incluídos 292 pacientes na análise final. A idade média foi de 64 anos e a maior parte da população esteve composta por homens. A maioria apresentava doença do TCE e de dois vasos (55,8%). 6,8% se apresentaram com síndrome coronariana aguda. A fração de ejeção média foi de 60% e 96% apresentavam uma bifurcação verdadeira em termos angiográficos segundo a classificação de Medina (1,1,1), (0,1,1) e (1,0,1).

No tocante aos resultados, os valores de corte para a área mínima do stent que melhor predisseram os eventos cardíacos adversos maiores em cinco anos foram 11,8 mm² para o TCE distal (área abaixo da curva: 0,57; p = 0,15), 8,3 mm² para o óstio da artéria descendente anterior (área abaixo da curva: 0,62; p = 0,02) e 5,7 mm² para o óstio da artéria circunflexa (área abaixo da curva: 0,64; p = 0,01).

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Usando ditos critérios, o risco de eventos cardíacos adversos maiores em cinco anos se associou significativamente a uma expansão insuficiente do stent no óstio da artéria descendente anterior (HR: 3,14; IC de 95%: 1,23–8,06; p = 0,02) e no óstio da artéria circunflexa (HR: 2,60; IC de 95%: 1,11–6,07; p = 0,03), mas não no TCE distal (HR: 0,81; IC de 95%, 0,34–1,91; p = 0,63). Os pacientes com expansão insuficiente do stent na descendente anterior e na circunflexa tiveram uma taxa significativamente maior de eventos cardíacos adversos maiores em cinco anos quando comparados com aqueles com nenhum stent ou com apenas um stent insuficientemente expandido em qualquer um dos óstios (p < 0,01).

Conclusão

Este estudo demonstrou que a subexpansão do stent no óstio da artéria descendente anterior e na artéria circunflexa se associou significativamente a piores resultados a longo prazo depois da ATC do TCE utilizando a estratégia de dois stents. O valor de corte para a área mínima do stent proposto neste estudo pode servir de referência para otimizar o implante do stent durante a ATC do TCE. 

Título Original: Optimal Minimal Stent Area and Impact of Stent Underexpansion in Left Main Up-Front 2-Stent Strategy.

Referência: Ju Hyeon Kim et al. Circ Cardiovasc Interv. 2024;17:e013006.


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Dr. Andrés Rodríguez
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Membro do Conselho Editorial da solaci.org

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