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Acesso radial direito hiperaduzido vs. radial esquerdo: buscando uma menor radiação diária

Os cardiologistas intervencionistas estão expostos a um dos principais riscos ocupacionais: a radiação ionizante. O acesso radial direito (RRA) se estabeleceu como a via preferida por seu perfil de segurança e eficiência. No entanto, associa-se com uma maior exposição à radiação em comparação com a abordagem femoral. Alguns estudos avaliaram como o uso do acesso radial esquerdo (left radial approach, LRA) se correlaciona com uma menor dose de radiação em comparação com o direito, como demonstram os estudos RADIANTE e OPERA. 

A posição direita hiperaduzida (HARRA, hyper-adducted right radial artery) se caracteriza pela colocação, por parte do operado, do braço direito o mais próximo possível do corpo do paciente (diferentemente da posição abduzida, na qual se demostrou uma exposição dez vezes maior). O objetivo deste estudo foi comparar a exposição à radiação do primeiro operador (acumulada e normalizada) entre a posição padronizada HARRA e a abordagem convencional pela radial esquerda. 

Realizou-se um estudo unicêntrico randomizado no Maimonides Medical Center (Nova York), que incluiu 534 pacientes submetidos a coronariografia efetiva, designados aos grupos LRA (n = 269) ou HARRA (n = 265). Foram excluídos os pacientes com síndromes coronarianas agudas ou instabilidade hemodinâmica. 

Todos os procedimentos foram realizados com o operador estando do lado direito do paciente, tanto com acesso radial convencional quanto distal, utilizando apoios personalizados ou dispositivos específicos de sustentação. Foram colocados dosímetros no tórax, abdômen e ambos os olhos do operador, avaliando tanto a dose acumulada (CR) como a dose normalizada pelo produto dose-área (CR/DAP). 

Os resultados obtidos foram conclusivos: o uso de LRA se associou com menores níveis de radiação em todas as localizações avaliadas. No tórax, a exposição média foi de 9,66 μSv vs. 12,27 μSv com HARRA (p < 0,001); no abdômen, 27,46 μSv vs. 36,56 μSv (p < 0,001); e no olho esquerdo, 2,65 μSv vs. 3,77 μSv (p < 0,001).

Leia também: Resultados de um ano de seguimento da válvula balão-expansível de quinta geração em uma população do “mundo real” nos Estados Unidos.

Posteriormente, foi feita uma análise multivariada que confirmou que o acesso HARRA manteve uma associação significativa com uma maior exposição, inclusive após ajustar por variáveis como o acesso distal. 

Conclusão

O acesso radial esquerdo, comparado com a técnica de hiperadução direita, mostrou uma redução significativa na expansão da radiação ionizante durante cateterismos diagnósticos. Dita evidência respalda o fato de que os operadores podem diminuir sua exposição adotando a abordagem radial esquerda. 

Referência: Casazza R, Malik B, Hashmi A, Fogel J, Montagna E, Frankel R, Borgen E, Ayzenberg S, Friedman M, Moskovits N, Verma S, Meng J, Chang N, Huang Y, Rodriguez C, Chera HH, Raj S, Chaterjee S, Gibson D, Palacios A, Agarwal C, Nene MV, Shani J. Operator Radiation Exposure Comparing the Left Radial Artery Approach and a Uniform Hyper-Adducted Right Radial Artery Approach: The HARRA Study. Circ Cardiovasc Interv. 2025 Apr;18(4):e014602. doi: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.124.014602. Epub 2025 Mar 19. PMID: 40104858; PMCID: PMC11995851.


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Dr. Omar Tupayachi
Dr. Omar Tupayachi
Membro do Conselho Editorial do solaci.org

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