EuroPCR 2025 | Estudo 4D-ACS: Terapia antiplaquetária dual de um mês seguida de monoterapia com prasugrel em dose reduzida

Embora a terapia antiplaquetária dual (DAPT) seja o tratamento padrão para o manejo de pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) submetidos a angioplastia coronariana, existe uma crescente consciência sobre a necessidade de adotar um enfoque mais centrado no paciente a fim de equilibrar a proteção isquêmica proporcionada pela DAPT com o risco de complicações hemorrágicas associadas. 

O estudo 4D-ACS, um ensaio clínico randomizado realizado na Coreia, incluiu 656 pacientes da Ásia Oriental com SCA, que foram randomizados em uma proporção de 1:1 a receber DAPT durante um mês com aspirina 100 mg e prasugrel 10 mg (com uma dose reduzida de 5 mg de prasugrel em pacientes ≥ 75 anos ou com peso corporal < 60 Kg), seguida de monoterapia com prasugrel (grupo DAPT-1M); ou um esquema de DAPT convencional de 12 meses com aspirina e prasugrel 5 mg (grupo DAPT-12M). Este estudo se posiciona como um dos primeiros a avaliar estratégias de redução ou desescalada da DAPT. 

O desfecho primário (DP) foi definido como os eventos clínicos adversos puros (NACE) em 12 meses, definidos como a combinação de morte, infarto do miocárdio não fatal, acidente vascular cerebral, revascularização do vaso tratado induzida por isquemia e hemorragia tipo 2-5 segundo os critérios do Consórcio de Pesquisa Acadêmica sobre Sangramento (BARC).

Leia também: EuroPCR 2025 | TRI-SCORE para a predição de mortalidade após TEER em valva tricúspide – Registro EURO TR.

Em 12 meses, a taxa de NACE foi de 4,9% no grupo DAPT-1M e de 8,8% no grupo DAPT-12M, cumprindo tanto com os critérios de não inferioridade quanto de superioridade. A incidência de hemorragia maior foi de 0,6% vs. 4,6% (HR 0,13; p = 0,007) nos grupos DAPT-1M e DAPT-12M, respectivamente. Os eventos isquêmicos se mantiveram comparáveis entre os dois grupos.

Conclusão

O ensaio 4D-ACS demonstrou que um protocolo de desescalada de DAPT em um mês seguido de monoterapia com prasugrel em dose baixa é seguro e factível em pacientes com SCA tratados com stents farmacológicos (DES). Dita estratégia proporcionou uma melhor segurança ao reduzir significativamente o risco de sangramento sem comprometer a proteção isquêmica. O uso de um esquema de DAPT de curta duração seguido de monoterapia representa uma alternativa terapêutica viável, que permite afastar-se do paradigma rígido da DAPT prolongada rumo a um modelo adaptado ao perfil de risco e com foco no paciente. 

Referência: Jang Y, Park S-D, Lee JP, et al EuroPCR 2025.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Dr. Andrés Rodríguez
Dr. Andrés Rodríguez
Membro do Conselho Editorial da solaci.org

Mais artigos deste autor

Rupturas de placa en artérias não culpadas: seguimento com imagens intravasculares

A ruptura de placa continua sendo um dos mecanismos fisiopatológicos mais importantes nas síndromes coronarianas agudas. No entanto, nem todas as rupturas se manifestam...

OCT e placas de alto risco: um preditor fundamental de eventos recorrentes após um infarto do miocárdio

Após um infarto do miocárdio (IM), as lesões não culpadas costumam ser diferidas quando não apresentam limitação significativa do fluxo coronariano (FFR negativo). No...

Ticagrelor vs. clopidogrel em pacientes com SCA e ACOD após ICP: mais sangramento sem benefício isquêmico?

Em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) que requerem anticoagulação oral direta (ACOD) e são submetidos a uma intervenção coronariana percutânea (ICP), os guias...

EuroPCR 2026 | É seguro suspender a aspirina a um mês em pacientes com infarto tratados com PCI? Análise do TARGET-FIRST

Este é um resumo da análise pós-hoc do estudo TARGET-FIRST, apresentado pelo Dr. Giuseppe Tarantini no EuroPCR 2026 sobre a interrupção precoce da aspirina...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...