Tratamento borda a borda no choque cardiogênico

O choque cardiogênico (SC) se caracteriza por uma depressão severa da função ventricular, sendo em sua maioria de origem isquêmica. Em inúmeras ocasiões, associa-se com a insuficiência mitral (IM) severa, seja como consequência da doença primária da valva mitral por ruptura de cordas tendinosas ou músculos papilares, seja por causas mistas (esta última com maior frequência).

Embora a cirurgia seja o tratamento de escolha nesse grupo de pacientes, em certos cenários não é factível devido ao alto risco que implica, sendo o tratamento borda a borda uma estratégia terapêutica válida. 

Foi feita uma análise de 30 pacientes com SC (19 com suporte Impella e o resto com balão de contrapulsação intra-aórtico – IABP), todos com insuficiência mitral moderada ou severa, de etiologia degenerativa ou funcional, que não eram candidatos a cirurgia e foram tratados com terapia borda a borda por meio de MitraClip. 

A idade média da população foi de 74 anos, sendo 19 homens e o STS de mortalidade para reparação valvar de 13,8%. Entre os antecedentes foram registrados: diabetes em 6 pacientes, hipertensão em 22, DPOC em 6 (5 com requerimento de oxigênio), angioplastia atrial em 15, marca-passo em 11, acidente vascular cerebral (AVC) em 3 e doença vascular periférica em 3. A creatinina média foi de 1,6 mg/dL. 

Lea también: Watchman FLX e o impacto de suas melhoras em comparação com a versão 2.5.

A fração de ejeção média foi de 40%. O diâmetro diastólico do ventrículo esquerdo foi de 55 mm e o sistólico foi de 43 mm. Seis pacientes apresentaram insuficiência aórtica moderada ou severa, 2 apresentaram estenose aórtica moderada ou severa e 18 insuficiência tricúspide moderada ou severa.

O tempo médio entre a admissão e o tratamento borda a borda foi de 2,1 dias. 

O implante foi bem-sucedido em 25 pacientes; em 2 casos persistiu IM severa ao finalizar o procedimento e em 3 não foi possível realizá-lo. O gradiente transmitral final foi ≤ 5 mmHg.

Leia também: Recoil crônico dos stents e seus efeitos a longo prazo.

A sobrevida hospitalar, em 30 dias e em 6 meses foi de 86,6%, 80% e 73,3%, respectivamente. Em 30 dias a distribuição do grau de IM foi: IM 1+ em 62%, 2+ em 19%, 3+ em 15% e 4+ em 4% dos pacientes. 

Conclusão

Em pacientes com choque cardiogênico complicado por insuficiência mitral, o tratamento borda a borda com assistência de suporte ventricular obrigatório demonstrou ser uma estratégia segura e se associou com uma evolução clínica favorável. 

Título Original: Mitral Transcatheter Edge-to-Edge Repair and Mandatory Mechanical Circulatory Support in Patients With Structural Shock. 

Referência: David G. Rizik, el al. Journal of the Society for Cardiovascular Angiography & Interventions 4 (2025) 10262 6 https://doi.org/10.1016/j.jscai.2025.102626


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Dr. Carlos Fava
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Membro do Conselho Editorial da solaci.org

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