DES em PCI primaria: A melhor opção?

Gentileza do Dr. Brian Nazareth Donato.

 

DES angioplastia primariaA relativa segurança dos stents eluidores de fármacos (DES) diante dos stents convencionais (BMS) durante a angioplastia (PCI) primária em pacientes com infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST continua sendo objeto de debate.

 

Realizou-se uma busca em Medline, CENTRAL, EMBASE, TCTMD e Cardiosource. Incluíram-se 9.673 pacientes de 12 estudos sobre um total de 56 possíveis. Tratavam-se de estudos clínicos randomizados onde se comparavam diferentes gerações de DES vs. BMS ou DES entre si (DES de primeira e segunda gerações) com pelo menos seis meses de seguimento e não menos de 50 pacientes.

 

Fizeram-se comparações diretas e indiretas para os diferentes desfechos. Avaliou-se morte, infarto do miocárdio, trombose do stent e a necessidade de revascularização do vaso alvo.

 

Com três anos de seguimento, observou-se uma redução de 47% da taxa de eventos combinados (MACE) com a utilização de DES de segunda geração vs. o uso de BMS (OR 0,54, IC 95% 0,34–0,74), disparada por uma menor necessidade de revascularização do vaso alvo (OR 0,50, IC 95% 0,31–0,81), infarto do miocárdio (OR 0,59, IC 95% 0,39–0,89) e trombose do stent (OR 0,59, IC 95% 0,39–0,89) durante esse período.

 

Observou-se, ademais, uma redução não significativa da mortalidade global e cardíaca (OR 0,83, IC 95% 0,60–1,14 e OR 0,88, IC 95% 0,6–1,28, respectivamente) com a utilização de DES de segunda geração comparada com a observada nos BMS.

 

Conclusão

O uso de stents farmacológicos de segunda geração na angioplastia primária se associa a uma redução significativa do risco de trombose de stent, infarto de miocárdio e nova revascularização em 3 anos.

 

Comentário editorial

Esta é a primeira metanálise que compara os resultados de segurança e eficácia a longo prazo na utilização de DES de segunda geração vs. BMS durante a angioplastia do infarto agudo de miocárdio com elevação do segmento ST.

 

Somente dois estudos compararam de maneira direta a segurança a respeito da trombose do stent dos DES de segunda geração vs. os BMS (EXAMINATION e CONFORTABLE-AMI). Os dez estudos restantes incluídos na presente metanálise avaliaram os DES de primeira geração vs. BMS e DES de primeira geração comparados com o DES de segunda geração. Sobre todos eles foram realizadas comparações diretas e indiretas para os resultados expostos.

 

A utilização, na atualidade, de novos esquemas antiplaquetários não avaliados nos estudos analisados poderia gerar variações nos resultados dos mesmos. No entanto, os resultados de um subestudo do Leaders-Free Trial (Eur Heart J. 2016 May 17) – com dupla antiagregação durante apenas um mês – sugerem que a diferença está no stent.

 

Título original: Very Late Stent Thrombosis with Second Generation Drug Eluting Stents Compared to Bare Metal Stents: Network Meta-Analysis of Randomized Primary Percutaneous Coronary Intervention Trials

Referência:  Femi Philip et al. Catheter Cardiovasc Interv. 2016 Jul;88(1):38-48.

 

Gentileza do Dr. Brian Nazareth Donato. Hospital Britânico de Buenos Aires, Argentina.

 

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