O FFR e o IVUS são similares para avaliar as lesões intermediárias?

Na doença coronariana o grau de obstrução do lúmen, a borda da placa, as características da mesma e o impacto fisiológico definem, em grande medida, o prognóstico. 

¿El FFR y el IVUS son similares para evaluar las lesiones intermedias?

Atualmente o método padrão para sua avaliação continua sendo a coronariografia.  

Nas lesões intermediárias avaliadas para ATC, o FFR já demonstrou seu grande benefício e segurança. No entanto, isso ainda não foi analisado com o IVUS. 

Foram randomizados 1682 pacientes com lesões de obstrução intermediária (40% – 70%) em vasos de pelo menos 2,5 mm por estimação visual para serem avaliados com FFR ou IVUS. Dentre eles, 838 foram avaliados com FFR (49,8%) e 844 com IVUS (50,2%). 

O desfecho primário (DP) foi a combinação de morte por qualquer causa, infarto do miocárdio e/ou revascularização dentro dos 24 meses da randomização. 

A idade média foi de 65 anos, a maioria dos pacientes eram homens, 33% da população apresentava diabete, 17% apresentava deterioração da função renal, 6% tinha tido infarto prévio, 20% ATC. A fração de ejeção foi de 63%.

Leia também: Diferenças de gênero e prognóstico em seguimento de 10 anos da síndrome coronariana com elevação do ST.

63% apresentava síndrome coronariana aguda, 1,6% NSTEMI e 0,5% STEMI. 

A artéria mais frequentemente afetada foi a descendente anterior (61%), 47% apresentava somente um vaso e 32% dois vasos. Não houve diferença no diâmetro dos vasos, grau de obstrução e comprimento das lesões. 

Nos pacientes que foram submetidos a IVUS foram feitas mais angioplastias (65,3% vs. 44,4%).

O DP foi similar entre os dois ramos em 24 meses (8,1% vs. 8,5%; p = 0,01 para não inferioridade). 

Leia também: É útil a ATC na deterioração severa da fração de ejeção do ventrículo esquerdo?

Tampouco houve diferença em termos de mortalidade por qualquer causa (4,6% vs. 3,4%), infarto do miocárdio (1,9% vs. 1,7%), revascularização (5,7% vs. 5,3%) ou AVC (0,7% vs. 1,2%) para FFR ou IVUS, respectivamente. 

Conclusão

Nos pacientes com lesões intermediárias que foram avaliados para ATC, o FFR não foi inferior ao IVUS no que se refere à evolução do desfecho primário composto por morte, infarto do miocárdio ou revascularização em 24 meses. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Fractional Flow Reserve or Intravascular Ultrasonography to Guide PCI. For the FLAVOUR Investigators. 

Referência: B.-K. Koo, et al. N Engl J Med 2022;387:779-89. DOI: 10.1056/NEJMoa2201546.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

Aterectomia rotacional e seus segredos técnicos: utilização de guia floppy ou extra-support (ES)

A aterectomia rotacional (AR) continua sendo uma ferramenta muito útil no manejo da calcificação coronariana severa. No entanto, muitos de seus detalhes técnicos se...

CRT 2026 | CUT-DRESS Trial: preparação da lesão com cutting balloon

A reestenose intra-stent (RIS) continua representando um desafio clínico relevante na prática contemporânea da angioplastia coronariana. Apesar dos avanços nos stents farmacológicos, a hiperplasia...

CRT 2026 | Clopidogrel vs. aspirina como monoterapia a longo prazo após uma angioplastia coronariana

O uso de aspirina como terapia antiplaquetária crônica após uma angioplastia coronariana (PCI) foi historicamente o padrão recomendado pelas diretrizes internacionais. No entanto, estudos...

Dispositivos bioabsorvíveis vs DES em pacientes com alto risco de reestenose. Seguimento de 7 anos do estudo COMPARE-ABSORB

Estudos com stents farmacológicos (DES) de segunda geração demonstraram que a taxa de falha da lesão-alvo (TLF) aumenta de forma linear até 5 ou...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Aterectomia rotacional e seus segredos técnicos: utilização de guia floppy ou extra-support (ES)

A aterectomia rotacional (AR) continua sendo uma ferramenta muito útil no manejo da calcificação coronariana severa. No entanto, muitos de seus detalhes técnicos se...

Aspiração mecânica percutânea versus tratamento cirúrgico da endocardite da valva tricúspide: revisão sistemática e metanálise

A endocardite infecciosa da valva tricúspide (TVIE) representa entre 5% e 10% de todos os casos de endocardite infeciosa. O tratamento cirúrgico constitui o...

COMPLICAT 2026: aprendizagem colaborativa para enfrentar complicações nas cardiopatias congênitas e estruturais

Curso online gratuito em espanhol5 webinars em 2026 O COMPLICAT 2026 chega à sua segunda edição, consolidando-se como um espaço acadêmico inovador dedicado à análise...