O TAVI se consolidou como o tratamento padrão na estenose aórtica de alto risco. Quando o acesso transfemoral não é factível (aproximadamente 10-15%), recorre-se a acessos alternativos: transaxilar (artéria subclávia, sem toracotomia), transapical (punção do ápice ventricular mediante toracotomia) e direto aórtico (acesso cirúrgico à aorta ascendente mediante miniesternotomia ou minitoracotomia). Em tal cenário, a evidência comparativa entre estratégias é limitada e a escolha depende da equipe responsável pelo tratamento.

Este estudo retrospectivo e multicêntrico visou a comparar os resultados perioperatórios e a médio prazo entre os acessos transaxilar (abordagem não torácica) e as abordagens com toracotomia (transapical -TA- e direta aórtica -DA-) em pacientes sem acesso transfemoral viável. O estudo não incluiu o acesso transcarotídeo, mencionado como uma alternativa em expansão, com uma trajetória mais direta ao anel aórtico e potencial menor risco embólico.
O desfecho primário foi a mortalidade por qualquer causa e os secundários incluíram eventos em 30 dias (sangramento, AVC e complicações vasculares).
Foram incluídos 198 pacientes de um total de 2185 procedimentos de TAVI realizados entre abril de 2015 e abril de 2024 em três centros, dentre os quais 97 foram tratados com abordagem transaxilar e 101 mediante toracotomia (TA n = 64; DA n = 37). A idade média foi de aproximadamente 83-84 anos, sem diferenças significativas em termos de sexo, fragilidade ou risco cirúrgico entre os grupos.
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Nos resultados perioperatórios, o grupo com toracotomia mostrou maior agressividade do procedimento: maior tempo operatório (121 ± 87 vs. 78 ± 18 minutos; p < 0.001), maior necessidade de transfusão (34% vs. 19%; p = 0,002), maior sangramento total (28% vs. 11%; p = 0,007) e sangramento potencialmente mortal (5,9% vs. 0%; p = 0,029), além de uma estância hospitalar mais prolongada (8,5 vs. 5 dias; p = 0,003). As complicações relacionadas com o acesso foram similares entre os grupos (4,0% vs. 5,1%; p = 0,744). O AVC isquêmico foi mais frequente no grupo transaxilar (7,2% vs. 1,0%), embora sem significância estatística (p = 0,113). A mortalidade intra-hospitalar ocorreu unicamente no grupo com toracotomia (5% vs. 0%; p = 0,06).
No seguimento, a sobrevivência em 1 ano foi significativamente maior no grupo transaxilar (91,1% vs. 80,4%; p = 0,04), sem diferenças em termos de mortalidade a médio prazo (mediana de sobrevivência: 5,58 vs. 4,76 anos; p = 0,78).
Abordagem transaxilar em TAVI: melhores resultados perioperatórios em comparação com acessos com toracotomia
Em síntese, a abordagem transaxilar se associa com melhores resultados perioperatórios do que os acessos com toracotomia (transapical/direto aórtico), com menor taxa de sangramento, menor necessidade de transfusão, menor tempo operatório e menor estadia hospitalar, além de uma maior sobrevivência em 1 ano. Entretanto, apresenta uma maior taxa de AVC isquêmico (7,2% vs. 1,0%), embora sem significância estatística. Em conjunto, os dados apresentados o posicionam como um dos acessos alternativos de escolha quando o transfemoral não é viável, enfatizando a necessidade de uma cuidadosa seleção de pacientes e uma meticulosa avaliação vascular pré-procedimento para reduzir o risco neurológico.
Título Original: Mid-term outcomes of trans-axillary versus thoracotomy approaches in alternative-access TAVR: a retrospective multicenter study.
Referência: Chiaki Aichi, Masahiro Inagaki, Junji Yanagisawa, Tetsuro Shimura, Masanori Yamamoto, Hideki Kitamura, Yutaka Koyama. Cardiovascular Intervention and Therapeutics, publicado online 2026. DOI: 10.1007/s12928-026-01253-7.
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