Isquemia crítica de membros inferiores, sempre tentar revascularizar

Título original: Endovascular Treatment for Infrainguinal Vessels in Patients With Critical Limb Ischemia : OLIVE Registry, a Prospective, Multicenter Study in Japan With 12-Month Follow-up. Referência: Osamu Iida et al. Circ Cardiovasc Interv. 2013;6:00-00

Os pacientes com isquemia crítica de membros inferiores tipicamente se apresentam com dor de repouso e úlceras isquêmicas ou gangrena

O prognóstico é pobre com uma alta mortalidade e taxa de amputação. A cirurgia de by-pass foi o padrão-ouro para revascularizar estes pacientes; no entanto, na vida real a isquemia crítica se associa com múltiplas comorbidades que aumentam o risco cirúrgico. O registro OLIVE é um estudo prospectivo multicêntrico com acompanhamento em um ano que avaliou os resultados da revascularização percutânea nos pacientes com isquemia crítica e lesões infrainguinais.

Foram incluídos 314 pacientes com isquemia crítica dos quais 71% eram diabéticos, 52% apresentavam insuficiência renal com requerimento de diálise e 88% úlceras com perda de tecidos. Dos pacientes, 41% apresentavam somente lesões abaixo do joelho, 42% lesões apresentavam femoropoplíteas e abaixo do joelho e o resto somente lesões femoropoplíteas com pelo menos um vaso permeável até o pé. Após a revascularização, obteve-se chegada de pelo menos uma linha de fluxo direta ao pé em 93%.

A sobrevivência livre de amputação foi de 81% em seis meses e de 74% em 12 meses. O tempo médio entre a revascularização e a cicatrização completa das feridas foi de 97 dias. 34% necessitaram de reintervenção no acompanhamento (2,6% cirurgia e 31,7% nova angioplastia).

Conclusão:

Apesar de uma alta taxa de reintervenções especialmente para as lesões abaixo do joelho, a revascularização percutânea foi útil nos pacientes com isquemia crítica de membro e lesões infrainguinais.

Comentário editorial:

O período de tempo (20 meses) relativamente curto no qual foram incluídos os pacientes fez que os materiais utilizados fossem homogêneos durante todo o registro e reflitam os últimos progressos da terapia endovascular. Este estudo nos mostra a vida real dos pacientes com essa patologia onde as comorbidades são muitas e graves, o que torna difícil pensar a cirurgia como o padrão-ouro de tratamento.

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