T-TEER: para além dos limiares tradicionais de hipertensão pulmonar

A insuficiência tricúspide (IT) significativa se associa à deterioração funcional progressiva, a hospitalizações por insuficiência cardíaca (IC) e ao aumento da mortalidade. Nos últimos anos, o reparo tricúspide transcateter borda-a-borda (T-TEER) tem se consolidado como a estratégia percutânea mais utilizada em pacientes com alto risco cirúrgico. No entanto, a seleção ótima de candidatos continua sendo um desafio, especialmente nos pacientes com hipertensão pulmonar ou comprometimento hemodinâmico avançado. 

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Embora os guias atuais recomendem o cateterismo direito como parte da evolução pré-procedimento, existe escassa evidência acerca de quais são os parâmetros invasivos com verdadeiro valor prognóstico após uma intervenção tricúspide. Em tal contexto, efetuou-se uma subanálise do registro EuroTR, que avaliou o impacto da hemodinâmica invasiva basal nos resultados clínicos precoces e tardios depois do procedimento de T-TEER. 

O registro clínico multicêntrico incluiu pacientes tratados com T-TEER isolado entre 2016 e 2024 em 26 centros europeus. Foram analisados 711 pacientes com avaliação hemodinâmica invasiva prévia ao procedimento. 

O desfecho clínico tardio foi o composto de mortalidade por qualquer causa ou internação por IC em 2 anos. Por outro lado, foi definido um desfecho com seguimento de 6 meses centrado no paciente, composto de mortalidade, internação por insuficiência cardíaca ou persistência/piora da classe funcional NYHA IV. 

A idade média da população foi de 81 anos; 93% tinha fibrilação atrial e 58% apresentava antecedentes de hospitalização por IC. A fração de ejeção do ventrículo esquerdo foi de 55%. A pressão arterial pulmonar média (PAPm) basal foi de 27 mmHg e a pressão wedge (PCWP) foi de 17 mmHg. 

Leia também: A oclusão do apêndice atrial esquerdo é segura em pacientes com fração de ejeção reduzida?

A sobrevivência livre de morte ou internação por IC em 2 anos foi de 63%. Por meio de análise de otimização de limiares foram identificados valores prognósticos específicos para eventos clínicos: PAPm ≥ 32 mmHg, PCWP ≥ 20 mmHg e resistência vascular pulmonar (PVR) ≥ 5 unidades Wood.

A PCWP mostrou o comportamento prognóstico mais consistente. Uma PCWP ≥ 20 mmHg se associou de maneira independente com uma deterioração clínica precoce em 6 meses (HR 2,77; IC de 95%: 1,47-5,28; p < 0,001) e com o composto de morte ou internação por insuficiência cardíaca em 2 anos (HR 1,75; IC de 95%: 1,03-3,02; p = 0,04).

Os pacientes com PAPm ou PCWP elevadas experimentaram uma menor magnitude de melhora sintomática após o procedimento, embora tenham mantido uma redução significativa da classe funcional durante o seguimento. 

Leia também: Oclusão de apêndice atrial esquerdo na Espanha: crescimento sustentado e bons resultados na prática clínica real.

Seguindo a mesma tendência, os pacientes com dois ou mais parâmetros acima dos limiares identificados apresentaram a pior evolução clínica, reforçando a importância de uma avaliação hemodinâmica integral em vez da interpretação isolada de uma única variável. 

Conclusões: T-TEER: a hemodinâmica invasiva redefine o risco prognóstico

Esta subanálise do registro EuroTR demostra que a hemodinâmica invasiva continua contribuindo com informação prognóstica relevante em pacientes candidatos a T-TEER. Os limiares associados a eventos adversos foram superiores aos propostos pelos guias para o diagnóstico de hipertensão pulmonar, o que sugere que a estratificação de risco na IT avançada requer critérios específicos para esta população específica. 

Título original: Invasive Hemodynamics and Risk Stratification in T-TEER: Moving Beyond ESC Thresholds – EuroTR Registry Insights.

Fonte: Masiero G, Arturi F, Ceni S, Panza A, Kresoja KP, von Stein J, Fortmeier V, Koell B, Rottbauer W, Kassar M, Goebel B, Denti P, Achouh P, Rassaf T, Barreiro-Perez M, Boekstegers P, Rück A, Zdanyte M, Adamo M, Vincent F, Schlegel P, Rosch S, Wild MG, Besler C, Toggweiler S, Brunner S, Grapsa J, Patterson T, Thiele H, Kister T, Sticchi A, De Carlo M, Voss F, Polzin A, Popolo Rubbio A, Bedogni F, Stolte T, Nestelberger T, Benito-González T, Sánchez-Muñóz E, Konstandin MH, Van Belle E, Metra M, Geisler T, Estévez-Loureiro R, Mahabadi AA, Karam N, Maisano F, Lauten P, Praz F, Kessler M, Kalbacher D, Rudolph V, Iliadis C, Lurz P, Hausleiter J, Stolz L, Tarantini G; EuroTR Investigators. Invasive Hemodynamics and Risk Stratification in T-TEER: Moving Beyond ESC Thresholds – EuroTR Registry Insights. Circ Cardiovasc Interv. 2026 Jan;19(1):e015964. doi: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.125.015964. Epub 2025 Nov 14. PMID: 41235431; PMCID: PMC12825785.


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Dr. Omar Tupayachi
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Membro do Conselho Editorial do solaci.org

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