Pontos de corte para FFR. O que fazer na “zona cinzenta”

Título original: Significance of Intermediate Values of Fractional Flow Reserve in Patients with Coronary Artery Disease. Referência: Julien Adjedj et al. Circulation. 2016 Jan 5. Epub ahead of print.

O valor de reserva de fluxo fracionada (FFR) de 0,75 foi validado contra testes evocadores de isquemia, enquanto que o valor de 0,80 é amplamente aceito para guiar a prática clínica. De qualquer maneira há uma “zona cinzenta” entre 0,76 e 0,85 onde pode ser discutível que estratégia seguir.

Entre os anos 1997 e 2013 todos os pacientes com lesão em um só segmento arterial e um valor de FFR foram incluídos na “zona cinzenta” (0,70-0,75 e 0,81-0,85). O desfecho primário do trabalho foi uma combinação de morte, infarto e qualquer revascularização (MACE) dentro de um período de 5 anos de seguimento.

Nesse período se realizaram 17.380 medições de FFR, das quais 1.459 se encontraram em dita zona e foram analisadas. Destas, 449 foram tratadas com revascularização e 1.010 com tratamento médico.

Na zona cinzenta a taxa de MACE foi similar entre tratamento médico e revascularização (13,9 vs. 11,2%, respectivamente; p = 0,3). Enquanto que se observou uma forte tendência a uma maior taxa de marte e infarto agudo do miocárdio (9,4 vs. 4,8; p = 0,06) e maior taxa de morte por qualquer causa (7,5 vs. 3,2; p = 0,059) no grupo no qual se realizou tratamento médico.

Nos pacientes que receberam tratamento médico observou-se um aumento progressivo na taxa de MACE à medida que o valor FFR diminuía (de 0,85 a 0,70), especialmente para as lesões proximais. No entanto, os pacientes que receberam revascularização não mostraram este gradiente, observando-se uma taxa similar de MACE em todo o espectro de valores.

Conclusão
O FFR na “zona cinzenta” conserva um grande valor prognóstico, especialmente para as lesões proximais. Estes dados confirmam que o valor de corte de FFR ≤ 0,80 é válido para guiar a prática clínica.

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