Em bifurcações menos é mais, também a longo prazo

Título original:Optimal Strategy for Provisional Side Branch Intervention in Coronary Bifurcation Lesions3-Year Outcomes of the SMART-STRATEGY Randomized Trial. Referência:Young Bin Song et al. J Am Coll Cardiol Intv. 2016;9(6):517-526.

 

Este estudo comparou os resultados de longo prazo da estratégia conservadora vs. agressiva para a técnica de stent provisional nas bifurcações coronárias.

Já foi relatado que a técnica de 2 stents não é superior à do stent provisional para tratar bifurcações. No entanto, o critério de excelência para resgatar um ramo secundário (RS) quando inicialmente se optou por stent provisional ainda não foi estabelecido.

Após implantar o stent no ramo principal se randomizou 1:1 uma estratégia conservadora (EC) ou agressiva (EA) para tratar o ramo secundário. Os critérios se diferenciaram de acordo com o fato de o tronco ser de coronária esquerda ou não.

Para tronco de coronária esquerda só se resgatou o RS se a estenose residual era> 75% na EC ou 50% na EA. Após o balão e kissing se implantou um segundo stent somente se persistia uma lesão > 50% ou dissecção na EC ou > 30% ou dissecção na EA.

Para as lesões que não eram de tronco de coronária esquerda só se resgatou o RS se o fluxo TIMI era inferior a 3 para a EC ou uma estenose residual > 75% para a EA.

Após balão e kissing só foi implantado um segundo stent se persistia uma lesão > 75% na EC ou > 50% na EA. O estudo randomizou 258 pacientes. 114 (44%) desses pacientes tinham a bifurcação no tronco da coronária esquerda.

O desfecho primário foi a falha do vaso alvo definido como uma combinação de morte cardíaca, infarto espontâneo e a revascularização do vaso alvo dentro do período de 3 anos.

No final do seguimento, o desfecho primário ocorreu em 11,7% na EC vs. 20,8% na EA (p = 0,049). Embora não se tenha observado diferenças significativas no primeiro ano (9,4% vs. 9,2%; p = 0,97) entre as duas estratégias, na análise entre o primeiro ano e os 3 anos de seguimento se observou uma significativa menor incidência de falha do vaso alvo na estratégia conservadora (2,6% vs. 12,7%; p = 0,004). O crossover à técnica de 2 stents foi um preditor independente de eventos (HR: 5,42, IC 95% 2,03 a 14,5; p < 0,001). A lesão do tronco de coronária esquerda mostrou idênticos resultados ao global do estudo.

Conclusão
Uma estratégia conservadora comparada com uma agressiva para tratar uma bifurcação com técnica de stent provisional se associa com benefícios a longo prazo.

Comentário editorial
Este estudo que já assume o stent provisional como padrão para as bifurcações (incluindo tronco de coronária esquerda) nos dá ferramentas objetivas para decidir quando resgatar um ramo secundário. Não foram considerados parâmetros mais subjetivos mas sim os de uso habitual na sala de hemodinâmica, como por exemplo, o fato de paciente referir angina.

Deve-se considerar que a baixa taxa de eventos no ramo conservador conferiu um baixo poder estatístico (42%), o que torna impossível tirar conclusões de subgrupos pequenos como o do tronco de coronária esquerda com circunflexa dominante.

Mais artigos deste autor

EuroPCR 2026 | É seguro suspender a aspirina a um mês em pacientes com infarto tratados com PCI? Análise do TARGET-FIRST

Este é um resumo da análise pós-hoc do estudo TARGET-FIRST, apresentado pelo Dr. Giuseppe Tarantini no EuroPCR 2026 sobre a interrupção precoce da aspirina...

EuroPCR 2026 | Evolocumabe reduz eventos cardiovasculares em pacientes com PCI prévia sem infarto: resultados do VESALIUS-CV

Esta apresentação, realizada pelo Dr. Brian A Bergmark e colaboradores no EuroPCR 2026, detalha os resultas do ensaio VERSALIUS-CV, centrando-se especificamente no subgrupo de...

EuroPCR 2026 | Angioplastia de TCE em 10 anos: quando não há diferença em sobrevida, manda a estratégia menos invasiva?

A indicação de revascularização na doença do tronco da coronária esquerda (TCE) tem como objetivo principal melhorar a sobrevivência. No entanto, continua vigente o...

EuroPCR 2026 | TAVI e doença coronariana: a PCI guiada por FFR mostrou melhores resultados do que a estratégia angiográfica

Nos pacientes candidatos a TAVI, a presença concomitante de doença coronariana continua sendo motivo de debate: intervir nas lesões antes, durante ou depois do...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Assista Novamente: Implicações Clínicas do Intervencionismo Estrutural — TAVI e MitraClip na Prática Diária

A gravação do webinar “Intervencionismo Estrutural: TAVI e MitraClip na Prática Diária” já está disponível no canal do YouTube da SOLACI. A atividade foi...

A oclusão do apêndice atrial esquerdo é segura em pacientes com fração de ejeção reduzida?

Os pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) foram excluídos dos principais estudos randomizados sobre oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo...

Oclusão de apêndice atrial esquerdo na Espanha: crescimento sustentado e bons resultados na prática clínica real

A anticoagulação oral continua sendo o tratamento padrão para a prevenção do acidente vascular cerebral em pacientes com fibrilação atrial. No entanto, muitos desses...